Terapia ocupacional como uma profissão politica: reflexões ancoradas no paradigma da complexidade

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Vivemos em um mundo globalizado, no qual as relações são cada vez mais complexas, e o contexto de vida de cada sujeito impacta diretamente nos modos de participação de cada um, nesse sentido, o profissional de saúde precisa, cada vez mais atentar-se para a realidade complexa da população por ele assistida, e o terapeuta ocupacional, de modo muito particular por ser um profissional que pretende intervir, justamente, no modo como cada sujeito participa da vida, portanto, a terapia ocupacional extrapola o olhar para as condições de saúde física, mental do seu cliente, e passa a olhar para as possibilidade de inserção social, econômica, cultural, e em última análise, olha para a participação política dele. Por tanto, esse estudo tem como objetivo verificar o significado da ação política nas atividades práticas em um estágio curricular da Terapia Ocupacional. Trata-se de um estudo retrospectivo, qualitativo social, longitudinal de natureza exploratória, realizado com análise de 25 diários de campo, dos estagiários que passaram pelo estágio de desenvolvimento infantil, desenvolvido na Unidade Básica de Saúde e na Comunidade do Parque do Capuava, na Cidade de Santo André, entre os anos de 2010 e 2012. As narrativas foram divididas em 3 categorias, na primeira, Holograma, faz-se uma discussão a respeito do reconhecimento que cada sujeito faz de si, e dos grupos nos quais se inserem, e como esse reconhecimento instrumentaliza e empodera a ação política, de profissionais e usuários dos serviços; na segunda categoria, Religando Saberes, discute-se a importância das relações interprofissionais/interdisciplinares, para que o aluno possa reconhecer as relações complexas dos sujeitos por ele atendidos, além de ajuda-lo a entender como as profissões, disciplinas, se complementam na atenção em saúde, permitindo uma percepção da atenção integral por parte da comunidade e na última categoria, Novos Olhares, propõe-se uma reflexão acerca da prática política da terapia ocupacional, enquanto uma profissão que olha para além da saúde biológica, fisiológica do sujeito, buscando estratégias de instrumentalização e empoderamento da comunidade para que haja, de fato, um melhor reconhecimento do papel de cada indivíduo, enquanto sujeito, protagonista da própria história. Concluindo a pesquisa, deixamos as nossas considerações iniciais, pois acreditamos que esse é o início de um percurso, e a continuidade de um debate, que não termina aqui, pois a terapia ocupacional se faz no cotidiano que se constrói na história vivida, individual e coletivamente. Obedecendo à Resolução no. 196/96 do Ministério da Saúde, este estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da FMABC e aprovado sob o número 59049816.9.0000.0082.

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