Biomarcadores inflamatórios em uma população de pacientes com hanseníase em João Pessoa/PB

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A hanseníase é doença contagiosa negligenciada, causadora de incapacidades. Pode cursar com episódios de inflamação, chamados de reações hansênicas, que modificam negativamente o seu curso e causam sofrimento aos acometidos. Não há, até o momento, marcadores laboratoriais consolidados para predizer ou confirmar o diagnóstico das reações hansênicas. Objetivo: Analisar o comportamento de biomarcadores inflamatórios em uma população de pacientes com hanseníase multibacilar. Método: Estudo transversal, prospectivo, realizado em uma capital nordestina. A população foi composta por uma amostra de casos novos de hanseníase multibacilar (n=67), diagnosticados clinicamente em um Centro de Referência por médicos dermatologistas com expertise na condução da hanseníase. Excluíram-se os menores de 10 anos de idade e as gestantes. Os dados foram coletados de julho/2018 a março/2019. Coletou-se um fragmento cutâneo para histopatológico (com pesquisa de bacilos) e para pesquisa de bacilo através da reação em cadeia da polimerase em tempo real. Realizaram-se baciloscopia do material dérmico, além de hemograma, dosagem de albumina e de proteína C reativa (PCR) para se calcular marcadores relacionados à resposta inflamatória: razão PCR-albumina (PAR), razão neutrófilo-linfócito (NLR), razão linfócito-monócito (LMR), razão plaqueta-linfócito (PLR) e o índice de inflamação sistêmica (IIS). Na análise dos dados, foram usados valores absolutos e relativos para as variáveis qualitativas, a média para aquelas com distribuição normal e a mediana para as que não apresentaram normalidade; o qui-quadrado para estudar a associação da forma clínica segundo o status da biologia molecular e o teste de Kruskal-Wallis para as variáveis clínicas com o tipo de reação. A associação da PLR sobre as reações foi estimada segundo modelo univariado e múltiplo de regressão de Poisson. Adotou-se o nível de significância de 5%. Utilizou-se o programa Stata versão 16.0®. Todos os aspectos éticos de pesquisa foram respeitados. Resultados: A população foi predominantemente composta por homens pardos, adultos jovens, com baixo nível cultural e econômico. A maioria apresentou a forma clínica dimorfa (61,2%) e algum grau de incapacidade física (62,7%). Todos receberam a Poliquimioterapia Multibacilar 12 meses. Treze (19,4%) pacientes apresentaram reação hansênica no momento do diagnóstico. Valores dos marcadores acima da mediana foram percebidos: em 31 (46,3%) pacientes para razão PAR; 31 (46,3%) para a NLR; 32 (47,8%) para a LMR; 29 (43,3%) para a PLR e 32 (47,8%) para o IIS. Na associação dos marcadores biológicos com o status “ter reação hansênica”, houve uma positividade entre ter reação e a PLR (p = 0,05) e uma tendência à positividade entre ter reação e o IIS (p = 0,06). Os pacientes com reação tiveram 1,3 vezes mais chance de apresentar a PLR aumentada. Conclusão: O estudo aponta que a razão plaqueta-linfócito pode ser útil no reconhecimento das reações hansênicas. Pesquisas adicionais com um maior número de pacientes são necessárias para consolidar os achados, de modo a permitir uma maior precocidade no diagnóstico e na condução das reações hansênicas, melhorando o prognóstico da doença e a qualidade de vida das pessoas acometidas.

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