Diferenças regionais do acidente vascular cerebral em brasileiros : tendência temporal da mortalidade, fatores de risco modificáveis e indicadores socioeconômicos

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Introdução: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a segunda causa de óbito no mundo, ficando atrás apenas da doença isquêmica do coração. No Brasil, o AVC está entre as principais causas de mortes, principalmente entre os adultos jovens de 15 a 49 anos de idade. Conhecer as condições que possam influenciar a epidemiologia do AVC, considerando os fatores de risco, diferenças regionais da mortalidade e os indicadores socioeconômicos é fundamental para a construção de políticas públicas ideais. Objetivo: Analisar as diferenças regionais do AVC em brasileiros residentes quanto a tendência temporal da mortalidade, fatores de risco modificáveis e indicadores socioeconômicos. Método: Estudo ecológico, por fonte de dados secundários. Os dados de óbitos por AVC em brasileiros residentes de 15 a 49 anos por regiões e sexo foram obtidos pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) que está disponível no DATASUS. Os dados de AVC foram coletados segundo CID-10 em: I60, I61, I63 e I64. Foi calculada a mortalidade e padronizada pelo método direto. As informações da prevalência de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, sobrepeso e obesidade em brasileiros foram da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL). Os indicadores socioeconômicos como índice de Gini, L de Theil e média de anos de estudos foram oriundos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Foi realizado estatística descritiva, além disso, regressão linear para estimar a tendência temporal da mortalidade e dos fatores de risco para o AVC ao longo dos anos e teste de correlação de Spearman para correlacionar mortalidade por AVC e indicadores socioeconômicos. O programa estatístico utilizado foi o Stata. Resultados: Ocorreu diminuição progressiva da mortalidade por AVC no Brasil. A tendência de redução permanece igual para ambos os sexos, apesar da mortalidade permanecer ligeiramente maior entre os homens. A região Sudeste apresentou a maior redução das mortes em decorrência do AVC em homens (ß= -0,64; p<0,001; r2= 0,94) e mulheres (ß= -0.51, p<0,001; r2=0,95), enquanto a região Norte apresentou a menor redução desta mortalidade para homens (ß= -0,14; p=0,002; r2= 0,52) e mulheres (ß= -0,19; p<0,001; r2= 0,75). Em contrapartida, há tendência de aumento significativo nos fatores de risco diabetes (ß= 0,34; p= 0,007; r²= 0,75); sobrepeso (ß= 0,47; p= 0,006; r²= 0,76) e obesidade (ß= 0,86; p<0,001; r²= 0,97), para os outros fatores de risco há estabilidade da prevalência de hipertensão arterial sistêmica (ß= 0,86; p<0,001; r²= 0,97) e consumo abusivo de álcool (ß= 0,86; p<0,001; r²= 0,97). Além disso, houve correlação forte positiva significante entre a mortalidade por AVC e índice de Gini e índice L de Theil nos homens e mulheres e correlação negativa forte e significante entre a mortalidade por AVC e a média de anos de estudos nos homens e nas mulheres. Essa mesma tendência ocorre para as regiões do Brasil e sexo. Conclusão: Houve diminuição da mortalidade por AVC em todas as regiões do Brasil tanto para homens quanto para mulheres. Essas reduções na mortalidade por AVC foram ligeiramente maiores nos homens do que nas mulheres. A região Sudeste apresentou maior redução e a região Norte a menor redução na mortalidade por AVC para ambos os sexos. Em relação a prevalência dos fatores de risco modificáveis para o AVC, houve aumento significativo da diabetes mellitus, sobrepeso e obesidade e estabilidade na prevalência de hipertensão arterial sistêmica e consumo excessivo de álcool. Por fim, a mortalidade por AVC padronizada por idade foi associada com os indicadores socioeconômicos como índice de Gini, índice L de Theil e média de anos de estudos. As mudanças nos indicadores socioeconômicos foram suficientes para impactar o risco de morte por AVC entre as regiões do Brasil e o sexo.

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