Ecodoppler no pré-operatório das fístulas arteriovenosas para hemodiálise: estudo da viabilidade do seu uso no sistema único de saúde
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Objetivo: As fístulas arteriovenosas são o padrão ouro dos acessos para hemodiálise, no entanto elas têm uma taxa significativa de falhas, sendo a introdução do uso rotineiro do ultrassom Doppler no seu pré-operatório ainda questionada. Este estudo avaliou a viabilidade do uso rotineiro do ultrassom Doppler versus o exame físico isolado no pré-operatório das fístulas arteriovenosas no Sistema Único de Saúde – Brasil, analisando desde o possível benefício clínico com melhora nas taxas de falhas, bem como o impacto do custo de sua introdução nesse serviço público de saúde. Métodos: Trata-se de um estudo clínico randomizado não cego, com um grupo de pacientes submetidos ao ultrassom Doppler no pré-operatório das fístulas arteriovenosas e um grupo controle apenas ao exame físico antes da realização desse acesso vascular. Os pacientes foram seguidos por 6meses, sendo avaliado as possíveis alterações das FAVs. Resultados: Dos 248 pacientes elegíveis, houve a randomização de 230, sendo que 228 foram efetivamente submetidos a cirurgia, dos quais 114 foram do grupo clínico e 114 do grupo com ultrassom. Tivemos 53 falhas totais, o que corresponde a 23.2% da amostra, onde 15,3% foi no grupo clínico versus 7,9% no grupo do ultrassom (P = 0.008), com Odds ratio de 1.61 – (1.08 – 2.41). Pudemos observar que 100% das explorações cirúrgicas negativas foram no grupo clínico, bem como a taxa de falha imediata foi significativamente maior no grupo clínico (P = 0.02). A curva de Kaplan-Meier com análises log-rank mostra um patência primária significativamente superior no grupo do ultrassom comparado com o grupo clínico com P = 0.004. Já com relação as complicações precoces, não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos (P = 0.38). Considerando as falhas e os fatores de risco associados na amostra global, houve associação estatisticamente significativa entre cateter venoso central do mesmo lado da FAV com P = 0,04 (Odds ratio 1,24) e obesidade com P = 0.05 (Odds ratio 1,36), o que não se repetiu no grupo do ultrassom Doppler isoladamente. Não houve diferença estatisticamente significativa entre o grupo com Doppler e o grupo clínico com relação à quantidade de dias de internação prévia à FAV e falha. Ao analisar o custo-efetividade do uso do ultrassom Doppler no pré-operatório das FAVs, pudemos observar que Doppler mostrou-se ligeiramente mais eficiente que o exame físico isolado (R$ 5,32/dia da fístula versus R$ 5,37/dia da fístula), com redução dos custos finais devido ao grupo do ultrassom ter menor taxa de falha e patência primária mais alta. Conclusão: Concluiu-se que o DUS contribuiu para a redução da falha primária, levando a uma perviedade primária significativamente superior das FAVs, com um custo um pouco menor por dia de manutenção da fístula, o que torna viável o seu uso rotineiro nas avaliações pré-operatórias.
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