Níveis de Kisspeptina em meninas com puberdade precoce central: revisão sistemática e metanálise de estudos observacionais

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Introdução: A kisspeptina (KP) foi identificada como uma peça-chave na regulação da liberação do hormônio gonadotrófico (GnRH), com consequente aumento da secreção de gonadotrofinas durante a puberdade, estabelecendo as funções reprodutivas e reguladoras o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. A ativação prematura da liberação de GnRH deflagra uma puberdade precoce idiopática, gonadotrofina dependente (ou central). O objetivo deste trabalho foi comparar as concentrações sanguíneas de KP de meninas com puberdade precoce central (PPC) com controles saudáveis. Método: revisão sistemática com meta-análise desenvolvidas segundo a declaração PRISMA. As bases de dados consultadas foram o MEDLINE, EMBASE, The Cochrane Library e SciELO, sendo incluídos artigos onde houve dosagem de KP foi mensurada. A meta-análise adotou modelo de efeito randômico, com diferença média padronizada (DMP), e heterogeneidade avaliada pelo I². Teste de meta-regressão utilizou o modelo de efeitos mistos considerando idade do paciente, fração da KP e método analítico da dosagem. O risco de viés foi avaliado pela escala Newcastle-Ottawa modificada. Resultados: foram incluídos 11 estudos na meta-análise, contendo 316 pacientes e 251 controles. Os níveis de KP foram maiores no grupo PPC (1.53; IC95% = 0.56-2.51) e I2= 99%. A análise de subgrupo revelou associação com a idade da paciente (p=0.048), indicando correlação positiva entre elevação na concentração de KP com a idade no grupo de PPC. Um subgrupo de pacientes com telarca precoce (TP) de 5 dos estudos incluídos, composto por 121 pacientes, mostrou níveis elevados de KP em relação aos controles (1.10; -0.25-2.45; IC 95%) e alta heterogeneidade (I² = 91%). A razão PPC/TP mostrou níveis de KP 36% maiores em pacientes com PPC comparados a pacientes com TP. Conclusão: esta é a primeira meta-análise a comparar níveis de KP em meninas com puberdade precoce central comparado com controles saudáveis. A diferença dos níveis de KP entre os grupos foi consistente, com maiores níveis de KP no grupo com PPC. Os níveis de KP são condizentes com a fisiopatologia e mecanismos da PPC. Entretanto, limitações analíticas na dosagem da KP desaconselham seu uso como ferramenta diagnóstica.

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