Estudo randomizado, placebo-controlado, duplo-cego do extrato seco do guaraná em pacientes com neoplasia de cabeça-pescoço submetidos à quimiorradioterapia : efeitos na fadiga e na qualidade de vida

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Fadiga é um sintoma frequente nos pacientes com neoplasia de cabeça e pescoço que realizam quimiorradioterapia. O Guaraná (Paullinia cupana) é uma planta brasileira da região da Amazônia pesquisada para o tratamento da fadiga induzida por quimioterapia. Métodos: Estudo prospectivo, randomizado, duplo-cego, fase II que avaliou 60 pacientes com neoplasia de cabeça e pescoço de maio 2012 à maio 2014 nos hospitais da FMABC (faculdade de medicina do ABC). Os pacientes foram randomizados em dois braços: placebo versus guaraná na dose de 50 mg duas vezes ao dia durante o tratamento com quimiorradioterapia. Foram usados os questionários FACT-HN, EORTC-HN35 e o EORTC-Q30 para avaliação da fadiga e qualidade de vida (QOL). Resultados: Houve piora da qualidade de vida após segundo ciclo de quimiorradioterapia nos domínios global (p: 0,0054), funcional (p: 0,018) e sintomas (p: 0,0042) nos pacientes em uso do guaraná comparados ao placebo. Não houve diferença significativa nos domínios de qualidade de vida com o uso do guaraná comparados ao placebo. Não houve diferença na qualidade de vida tanto no guaraná ou placebo quando observados no primeiro e quarto ciclos quando todos os domínios de ambos os grupos foram comparados. No questionário FACT-HN, o grupo do guaraná mostrou melhora após o primeiro ciclo de quimiorradioterapia em relação à dor (p: 0,0133), alimentação social (p: 0,0227), salivação (p: 0,0254), tosse (p: 0,0107) e perda de peso (p: 0,012); No entanto, após término do tratamento (após terceiro ciclo), houve perda de peso (p: 0,0074), maior uso de sonda naso-enteral (p: 0,051), maior uso de analgésicos (p: 0,0253) no grupo do guaraná. Quanto ao questionário EORTC-QOL C30, houve melhora nos sintomas nos 3 domínios (global, funcional e sintomas) nos pacientes em uso do guaraná. Não houve diferença em relação a toxicidade avaliado pela escala CTCAE (critérios de terminologia comuns dos efeitos adversos) entre os dois grupos. Conclusão: Acreditamos que o guaraná não traz benefício para os pacientes em quimiorradioterapia de câncer de cabeça e pescoço.

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