Vulnerabilidade às doenças infectocontagiosas em professores de creches em Fortaleza-CE
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Na sociedade atual, a creche adquiriu importância crescente como lugar social da educação na primeira infância, configurando uma área pedagógica de atuação do professor que envolve ensino e cuidado às crianças nesta fase. A saúde dos professores de creche, no entanto, tem sido pouco estudada e/ou divulgada na literatura científica nacional e internacional. A hipótese apontada neste estudo é de que a intensa proximidade física entre crianças e professores por um período extenso, cotidianamente, se soma às condições objetivas de trabalho, contribuindo como fator de vulnerabilidade à saúde destes professores. Este estudo tem como objetivo geral analisar a vulnerabilidade às doenças infectocontagiosas em professoras de creche que atuam em instituições públicas no Município de Fortaleza- CE, e como objetivos específicos: traçar o perfil profissional e sociodemográfico dos participantes do ensejo; descrever as modalidades de contato e interação de crianças e professoras de creches, que podem favorecer o desenvolvimento de doenças infectocontagiosas; identificar os fatores de desgaste na organização do trabalho das professoras de creche em Fortaleza/CE. É um estudo com abordagem quantiqualitativa, do tipo descritivo, transversal, de caráter exploratório, realizado com 30 professoras de creche do Município de Fortaleza, no período de outubro a novembro de 2016. Utilizou-se como instrumento para coleta de dados a aplicação de um questionário com dez perguntas fechadas e três indagações abertas. A análise dos dados quantitativos foi realizada utilizando-se o programa Stata, versão 11.0; os dados qualitativos foram analisados com a técnica de análise de conteúdo temática. As variáveis quantitativas foram apresentadas por frequência absoluta e relativa. Para as variáveis quantitativas com a contribuição normal (Scapito-Wilk, p>0,05), usou-se para descrever média, desvio-padrão mínimo e máximo. O Teste t de Student foi aplicado para analisar a associação entre as características do trabalho das professoras com a satisfação e a ocorrência de doenças por lecionarem na creche. Por fim, foi realizado o Teste de Pearson para avaliar se existe correlação entre as características do trabalho das professoras com a quantidade de vezes que ficaram doentes no presente ano e no ano passado. Para todas as análises, utilizou-se nível de confiança de 95%. Os resultados indicam que 36,6% das professoras do estudo têm formação em Pedagogia e mais da metade (53,3%) é de pós-graduadas, sinalizando a busca de melhor formação por parte destas; apenas metade (50%) ingressou na creche via concurso público, denotando a precarização do trabalho do professor também neste âmbito escolar. Quando se reporta às principais doenças infectocontagiosas que acometem as crianças da creche, surgiu alto índice de duas ou três comorbidades, 33.3% e 30%, respectivamente. Em relação ao risco que o trabalho na creche traz para sua saúde, os resultados apontam que 58,6% das professoras consideram que a creche não traz maiores riscos de adoecimento e 41,4% consideram que sim - a creche lhes causa mais adoecimentos. A satisfação com o trabalho na creche é alta, 86,7%, o equivalente a 26 professoras. A análise qualitativa, contudo, aponta que a falta de condições de trabalho soma-se ao estresse decorrente da presença de alunos com viroses que precisam permanecer na escola, mesmo doentes; a falta de higiene, repouso e alimentação adequada concorre para a vulnerabilidade ao adoecimento das professoras.
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