Respostas familiares em relação à depressão em crianças e adolescentes negros: narrativas do sofrimento psíquico através da poética da vida social
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INTRODUÇÃO A desigualdade social, política e econômica praticada no Brasil influencia diretamente na dinâmica familiar e, consequentemente, no aumento do número de crianças e adolescentes em situação de risco social e pessoal. Neste contexto, o silêncio nas populações negras é um aspecto crucial para compreensão das relações raciais, criando condições que favorecem certos riscos ou ameaças à saúde. OBJETIVO Compreender as dinâmicas em torno das trajetórias de pessoas negras percebidas através das narrativas familiares. A proposta é entender como a criança negra é percebida na convivência familiar e quais os discursos que movem as trajetórias da criança considerada como doente. MÉTODO Abordagem cartográfica, buscando reconstruir os acontecimentos, a partir da perspectiva do informante, tão diretamente quanto possível. Numa busca “do quê”, “do como” envolvidos na recontextualização daquilo que provoca, ao falar, uma maneira própria de traduzir a situação vivida na conivência com a depressão infanto juvenil. Fundamental, neste processo, foi mapear o modo como os familiares narram sobre suas vidas, a linguagem usada e as conexões realizadas na convivência com a doença. RESULTADOS O fenômeno do racismo só pode ser entendido a partir das realidades locais e da história e configuração social de cada região onde ele se faz presente. Os impactos do racismo na formação de uma criança precisam ser descritos e analisados a fim de que se possa melhor oferecer suporte e cuidado a sujeitos que, muitas vezes, não possuem ferramentas que permitam identificar as fontes de seus sofrimentos e as principais formas de enfrentá-los. CONCLUSÃO: Na qualidade de fenômeno social, a doença se perfaz como um acontecimento pautado pela situação da cor e da pobreza. Ela tem uma natureza cumulativa, que gera uma maior probabilidade de continuação da experiência da pobreza na idade adulta; isto é, tem um maior impacto a longo prazo. Certamente, as condições de atendimento, o número de profissionais insuficiente para cuidar da proteção de sujeitos em uma sociedade com proteção social diminuta ou ínfima preambula a convivência da família com o quadro depressivo demonstra a compreensão de uma narrativa afetada por transtornos físicos e psíquicos, sobretudo, sintomáticos e, por vezes, incapacitantes que são consequência dos caminhos sociais, culturais e educacionais tortuosos à saúde mental de qualquer ser humano.
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