Identidade de gênero na infância: possibilidades de um (não) diagnóstico

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O presente trabalho buscou discutir o diagnóstico de gênero na infância e questionar sua função e benefício para a criança que o recebe. Para isso foi feito um apanhado histórico de classificações diagnósticas de gênero na psiquiatria e como as nomenclaturas e categorias foram se alterando até culminarmos nos parâmetros atuais que descrevem o quadro de Disforia de Gênero, segundo o DSM-5, e Incongruência de Gênero, de acordo com as mudanças na CID-11. Os critérios diagnósticos vigentes se mostraram insuficientes para alegar uma cientificidade, demonstrando uma visão idealizada e estereotipada do que seria um menino e uma menina, em que se observa uma cis-heteronormatividade hegemônica. A Teoria queer enriquece a discussão com sua crítica a essa cisgeneridade e a heteronormatividade que vigia, pune e adoece os corpos desde cedo na infância. Além disso, não se pode esquecer que a infância é o período de vivenciar possibilidades e brincar, não sendo coerente um diagnóstico que rotule ou limite as expressões da criança. A partir disso, é possível refletir sobre o papel do psicólogo, que possui uma posição muito importante na despatologização das identidades, nesses casos, atuando de maneira respeitosa e ética com a criança e seus modos de existir.

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