Zika vírus: mecanismos protetores da amamentação e repercussões na viscosidade e perfil de citocinas do colostro humano
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Introdução: a infecção pelo vírus Zika (ZIKV) é uma doença causada pelo arbovírus de mesmo nome, caracteriza-se como uma doença de rápida disseminação e, portanto, de crescente ameaça à Saúde Pública Global. O ressurgimento de novos casos de infecção pelo ZIKV, acompanhado por epidemia de microcefalia no Brasil, despertou o interesse mundial em descrever os mecanismos biológicos do vírus, permitindo o adequado manejo do paciente, além do controle da disseminação viral. Apesar da transmissão do ZIKV acontecer principalmente através da picada do mosquito Aedes Aegypti contaminado, a transmissão viral também foi verificada através de fluídos biológicos. Assim, o colostro e o leite humano são possíveis fontes de disseminação do vírus. Mas, estudos na literatura ilustram que, mesmo havendo a presença do vírus no leite humano, os casos de possíveis infecções do ZIKV, via amamentação, não foram confirmados. O colostro e leite humano apresentam comportamento diferente de outros fluídos biológicos, o que prejudica a disseminação viral. Assim, trabalhos que abordem as alterações no colostro ou leite humano, provenientes de mulheres com infecção por ZIKV, são fundamentais para trazer embasamentos científicos para respaldar a recomendação da Organização Mundial de Saúde em que a amamentação deve ser incentivada em casos de infecções maternas por ZIKV. Objetivo: analisar a viscosidade e os níveis de citocinas inflamatórias (IL-6 e IL-10) no colostro humano, segundo a infecção materno pelo ZIKV durante o período gestacional. Método: participaram do estudo 40 doadoras de colostro no pós-parto, divididos em 2 grupos: controle (sem infecção pelo ZIKV, n = 20) e grupo infectado pelo ZIKV durante o período gestacional (n = 20). Nas amostras de colostros provenientes do ZIKV grupo, foram realizadas análises para detecção do ZIKV e de outros flavivírus por meio de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR). Além de obter os parâmetros reológicos (curva de fluxo e viscosidade) e quantificação das citocinas IL-10 e IL-6 por citometria de fluxo. Foram considerados diferenças significativas quando o p<0,05. Resultados: o ZIKV e outros flavivírus não foram detectados no colostro. No entanto, a infecção materna refletiu aumento da viscosidade, diminuição dos níveis de IL-10 e elevação nas concentrações de IL-6. As citocinas IL-10 e IL-6 foram correlacionadas com a viscosidade apenas para o grupo controle. Enquanto que, na presença do ZIKA vírus, as alterações no perfil de citocinas impactaram na perda da correlação com viscosidade. Conclusão: é possível que a elevação da viscosidade representa uma barreira mecânica que dificulta a disseminação do vírus. Assim, a maior viscosidade, provavelmente, representa um possível mecanismo de adaptação da amamentação contra uma resposta ao ZIKV.
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