Utilização do método turbidimétrico para determinação de hemoglobina glicada (A1c) em cães diabéticos e não diabéticos
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A diabetes mellitus apresenta prevalência mundial de 0,4% a 1,2% dos cães e gatos com prevalência 0,005% a 1,5%nos cães. Acomete cães entre 4 e 14 anos de idade, machos e fêmeas. Sua etiologia é multifatorial, sendo a obesidade fator de risco para a resistência insulínica. Adiabetes mellitus acomete o pâncreas com a destruição imunomediada das células beta resultando na deficiência relativa ou absoluta da produção de insulina e conseqüentemente a dependência insulínica. O diagnóstico laboratorial é confirmado com a constatação de hiperglicemia em jejum e glicosúria persistentes. A frutosamina é um parâmetro diagnóstico seguro e indicador confiável da glicemia das últimas 2 a 3 semanas e a hemoglobina glicada (A1c) é proporcional à concentração sanguínea de glicose durante o ciclo de vida das hemácias, refletindo o precedente glicêmico de 2 ou 3 meses. Sendo assim, A1c é um eficiente biomarcador do risco de complicações crônicas no DM e monitoramentoao paciente diabético e sua falta de aplicabilidade da A1c na rotina veterinária deve-se à escassez, divergência de valores de referência, ausência de validação de kits comerciais, sendo necessários mais estudos para sua aplicação em pets. Este trabalho teve como objetivo a identificação da hemoglobina A1c como biomarcador diagnóstico de diabetes mellitus em cães através da imunoturbidimetria e propor um intervalo de referência de A1c para cães diabéticos e não diabéticos. Foram selecionados 86 cães saudáveis e 20 cães diabéticos de idade e raças variadas, machos e fêmeas, castrados e não castrados. Realizaram-se exames de triagem e A1c pelo método de turbidimetria. Utilizou-se o teste de correlação de Spearman entre A1c e as variáveis bioquímicas e variáveis hematológicas, curva ROC (Receiver Operating Characteristic) para analisar a capacidade diagnóstica da glicose e A1c para predizer diabetes em cães e Data Analysis and Statistical Software for Professionals (Stata) versão 11.0®. Obtivemos mediana de 3,8% para A1c com intervalo de confiança de 3,8% a 4,0% para cães não diabéticos e cut off de 4,5% para cães diabéticos. A correlação de Spearman demonstrou relação direta da A1c com a variável glicose (RHO=0,424) e associação estatisticamente significativa com as variáveis glicose (p<0,001) e creatinina (p0,002), demonstrando capacidade diagnóstica da A1c em predizer diabetes em cães e prognóstica à comorbidades. As áreas das Curvas ROC de A1c (ROC=0,956) e glicose (ROC=0,852)apresentaram índices elevados quanto a sensibilidade e especificidade no uso individual das variáveis, sendo que a associação das mesmas apresenta correlação positiva e estatisticamente significante (p=0,051). A capacidade diagnóstica de A1c em predizer diabetes melitus em cães foi comprovada através das análises turbidimétricas que estabeleceram um intervalo de referência de A1c para cães não diabéticos e cut off para cães diabéticos, atingindo assim os objetivos iniciais deste estudo. A capacidade prognóstica da A1c também foi estabelecida por sua relação direta e forte associação com a creatinina, sendo A1c indicada como biomarcador prognóstico para comorbidade renal, dado este relevante e inédito na literatura veterinária.
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