Reemergência da febre amarela no Brasil: o papel de distintos limiares de fragmentação da paisagem
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Introdução: a reemergência da febre amarela no Brasil (2014 – 2019) está associada com a expansão territorial do vírus para áreas de Mata Atlântica. Os fragmentos de floresta nativa são o foco natural da doença na paisagem. Isso porque ajudam a concentrar altas densidades de símios infectados, mosquitos vetores generalistas e humanos que habitam ou trabalham próximos à borda de floresta. O principal objetivo é analisar a distribuição de casos humanos e de símios e sua relação com a fragmentação florestal na reemergência da febre amarela no Brasil. Métodos: os dados de febre amarela foram obtidos da Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses, Ministério da Saúde (MS). Apenas os eventos confirmados (confirmação laboratorial da presença do vírus) foram utilizados para a análise. Os eventos confirmados de casos humanos e de símios foram somados por município afetado (N = 151). A fragmentação florestal foi estimada por meio da cobertura florestal de 0 a 100 % e a densidade de borda de floresta (metros por hectare). Valores de cobertura florestal entre 30 – 70% corresponderam à maior densidade de borda de floresta e, assim, representaram cenário de risco (= 1), enquanto os demais, cenário de base (= 0). A análise dos eventos confirmados (número de eventos com vírus confirmado) em função da fragmentação florestal (cenário de risco = 1, cenário de base = 0) foi realizada com modelo de regressão linear generalizado com erros binomiais negativos, ajustada por diversos fatores de confundimento. Fatores de confundimento que ajustaram os riscos: (1) área de cobertura vacinal; (2) área do município e (3) tamanho da população humana. Resultados: o número de eventos confirmados foi de 3.541, com média de 24 (± 36), de um total de 151 municípios que confirmaram presença do vírus entre 2014 e 2019. Proporção de sexo masculino (55 – 85%) e idade (30 – 60 anos) nos casos humanos e a proporção (21 – 60%) das espécies bugio (Alouatta) e sagui (Callithrix) nas epizootias em símios tiveram maior média desses eventos, em comparação com os outros grupos. O risco de eventos confirmados de febre amarela foi 80% maior em municípios com cobertura florestal entre 30-70% e fragmentação elevada (= 80 m/ha), em comparação com os cenários de base (RR = 1.8; IC95% 1.2 – 2.7; p < 0.004), ajustado por variáveis de confundimento. Conclusão: a fragmentação da floresta de mata atlântica cria corredores ecológicos na paisagem municipal que podem aumentar o risco de dispersão de vírus, símios e mosquitos vetores, contribuindo com a epidemia de febre amarela no Brasil, 2014 – 2019. Eventos zoonóticos de transmissão viral para seres humanos poderão se tornar frequentes caso as políticas de conservação da natureza não estiverem em acordo com a legislação ambiental vigente, por exemplo, o Código Florestal, podendo, portanto, causar efeitos nocivos e inesperados à saúde das populações.
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