Insegurança alimentar grave e saúde mental em mulheres vivendo em situação de extrema pobreza no estado do Ceará - Brasil
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Introdução: a prevalência de insegurança alimentar (IA) de grau moderado ou grave no mundo é estimada em 30%, atingindo 2,4 bilhões de pessoas em 2020. Os transtornos mentais comuns (TMC), representados por depressão, ansiedade e distúrbios psicossomáticos, acometem um em cada cinco indivíduos, atingindo todos os grupos populacionais e classes sociais. O aumento do desemprego, a insegurança financeira, a diminuição do apoio social e o confinamento se intensificaram ou produziram dificuldades extras que ameaçaram o bem-estar das famílias, especialmente as mais vulneráveis. Objetivos: analisar as inter-relações entre insegurança alimentar grave (IAG), TMC, violência e pobreza em mães que possuem crianças na primeira infância e que vivem em situação de extrema vulnerabilidade no estado do Ceará. Método: estudo observacional transversal de base populacional realizado em 24 municípios do estado do Ceará, nordeste do Brasil, coleta de dados de famílias com crianças menores de 6 anos de idade que vivem em condições de extrema vulnerabilidade social e que são beneficiadas pelo programa Cartão Mais Infância Ceará (CMIC). Na análise multivariada, foram utilizados modelos de Regressão de Poisson ajustados para o efeito amostral, com o uso de erros robustos. Resultados: Cerca de 86% das famílias encontravam-se em situação de IA, dos quais 36% apresentam IAG, condição compatível com a fome. Observou-se que, quando relacionada ao TMC, a prevalência de IAG aumentou consideravelmente, chegando a afetar 53% das mães com o TMC, em contraste aos 31% daquelas sem o transtorno (p<0,001). A análise de regressão, em seu modelo final, mostrou que o TMC se manteve como o fator de risco mais fortemente associado à IAG, em que mães com TMC apresentam um risco ajustado 64% mais elevado em comparação às mães sem esta condição (p=0,002). A presença do TMC materno aumentou em 73% o risco de IAG na família (p<0,001). Outro fator relacionado à saúde mental significativamente associado à IAG foi a violência doméstica, representada pelas condições de não se sentir segura em casa e de já ter sido agredida verbalmente, o qual aumentou em 67% e 71%, respectivamente, o risco de IAG, em comparação a quem não exibia estes problemas. Permaneceram, no modelo final, a condição de não dispor de água tratada no domicílio, com uma medida ajustada de 55% maior risco de IAG (p=0,011) e dois fatores que estiveram próximos à significância estatística: não se sentir segura em casa, devido à possibilidade de violência doméstica, e cultivar plantas comestíveis em casa, com medidas ajustadas de 48% de risco e 13% de proteção, respectivamente. Conclusão: 13% desta população de mães de crianças na primeira infância em situação de extrema pobreza convivem com índices elevados de IAG, compatível com a fome, concomitante ao acometimento por TMC. Como agravantes da IAG e do TMC, encontraram-se a violência doméstica, a ausência paterna e a baixa escolaridade da mãe, fatores que requerem programas públicos de suporte social para que se alcance um real impacto na qualidade de vida daquela população
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