Aplicações da epistemologia bourdieuana às narrativas sobre longevidade e a atenção primária à saúde

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A transição demográfica, com o envelhecimento populacional em curso, é um fenômeno de envergadura global. No Brasil, os agravos à saúde da pessoa idosa são identificados precocemente e mais bem manejados pela Atenção Primária. Objetivou-se realizar recorte analítico da percepção do ser idoso em contextos de serviços de saúde responsivos. Estudo empírico, integrando vantagens das abordagens de pesquisa, sendo os dados quantitativos suplementares ao estudo. A fase de campo transcorreu de agosto a novembro de 2022. Coletaram-se dados com questionário social e mais formulário que atesta condições físicas gerais, e a entrevista de grupo focal. Compuseram amostra 21 profissionais de saúde e 21 idosos, de escolha não-probabilística-intencional. Os lócus foram duas Unidades da Atenção Básica, sediadas no município de Caucaia, Ceará. O processamento de dado utiliza software de planilha e um método de análise-narrativa. As interpretações se deram relativamente a quatro grandes temas (espelhando os objetivos de pesquisa), num diálogo constante com referenciais pertinentes/atuais, além dos conceitos de Pierre Bourdieu, utilizados como chaves de leituras sociológicas: campo, habitus e capital. A média de idade dos profissionais era menor de 30 anos, predominando mulheres, em sua maioria enfermeiras. Apenas dois profissionais tinham especialidade em saúde do idoso. Entre longevos, predominaram mulheres semiletradas, vivendo em vulnerabilidade, com IMC elevado, hipertensão e diabetes. Narrativas profissionais insinuavam haver desesperança da parte dos idosos, e incapacidade de eles promoverem o autocuidado/proteção da saúde. Profissionais de saúde comparam envelhecer com fracassos físico, familiar e social; eles acreditam na APS como a opção ideal em saúde da pessoa idosa. Comparativamente, os idosos narram sobre uma velhice “bem vivida”, tempo para gastar com os netinhos, colaborando ativamente para com os desenhos plurais de famílias. Os idosos percebem a APS como falha, incompleta ou não efetiva. A ausência de médico foi a principal queixa. O campo estudado é esse cenário de desencontros entre narrativas, como também é um campo de conflitos (in)conscientes deflagrados pela imbricação dos agentes da relação de cuidado (idosos e profissionais), sustentando um objeto comum (a díade saúde-doença). Do ponto de vista dos serviços responsivos, o estímulo para a autonomia e o autocuidado pela pessoa idosa emergia nas práticas integrativas de saúde – as mesmas práticas subestimadas pelos longevos. Os desencontros entre narrativas permitem acreditar que as dificuldades de adesão se devem a serviços culturalmente incongruentes. Modus operandi institucionalizado (seu habitus estruturado em disputas pelo capital local instalado) regem o acesso às vidas dos idosos pelos profissionais, sendo que o cuidado promovido desconsidera subjetividades, sistemas sociais e simbólicos associados ao longevo. Conclui-se que o grupo focal narrativo alcançou seu objetivo de “cruzar” percepções, sendo comprovada hipótese de que pessoas idosas e profissionais de saúde destoam em percepções quanto ao significado de idoso e de velhice nesses tempos de longevidade; bem como são discordantes as suas visões ao mesmo tempo da qualidade/pertinência dos serviços responsivos em atenção primária. Sugere-se novo estudo, partindo da premissa de idosos vivendo à mercê dos jogos e disputas (reais ou simbólicas) dos outros agentes no campo.

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