A desigualdade de renda é um determinante para taxa de cirurgias de catarata no Brasil

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Introdução: O Brasil é um país com elevada disparidades regionais que tem um sistema único de saúde pública com características exclusivas em nível mundial. Entretanto, as desigualdades socioeconômicas, como a de renda, são relacionadas às diversas taxas epidemiológicas de desfechos em saúde, bem como, condições de sua prevenção e promoção. No Brasil, um dos principais problemas de saúde que pode ser evitado com a realização de tratamento é a catarata, que, por sua vez, impacta na qualidade de vida e pode levar à cegueira quando a cirurgia não é realizada. Objetivos: Analisar quais os determinantes socioeconômicos relacionados são barreiras para realização e cirurgias de catarata (facectomias) no Brasil e descrever a tendência temporal das taxas de facectomias realizadas em indivíduos acima de 40 anos no Brasil, e analisar o impacto da variação da desigualdade de renda sobre essa tendência, durante 17 anos. Métodos: A pesquisa foi desenvolvida em duas etapas. Na primeira etapa realizou-se uma revisão sistemática de acordo com as orientações do MOOSE guideline e na segunda, um estudo ecológico realizado com dados entre 2010 e 2017 extraídos de bases públicas de dados, tendo como unidades analisadas as Unidades Federativas e Distrito Federal do Brasil. Resultados. Na primeira etapa, foi possível entender a partir da análise de cinco estudos que idade avançada, medo do procedimento e dificuldades no acesso aos serviços de saúde foram fatores socioeconômicos relacionados a taxa de cirurgias de catarata. Adicionalmente, no segundo estudo foi possível observar que apesar do aumento da taxa de facectomias e da redução da desigualdade de renda, parece haver redução da taxa de facectomias quando considerada a desigualdade de renda na análise. Conclusão: Apesar do impacto que a catarata tem na vida das pessoas, barreiras socioeconômicas como a renda e o conhecimento sobre os procedimentos pela população são fatores que necessitam ser considerados nas políticas públicas para redução da carga dessa doença no Brasil.

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