Variantes gênicas e prognóstico em meningiomas: uma revisão sistemática e meta-análise

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Os meningiomas são os tumores primários mais comuns do sistema nervoso central. Embora geralmente benignos, algumas alterações genéticas podem induzir comportamento agressivo, caracterizado por maiores taxas de recorrência e menor sobrevida. Os estudos mais relevantes incluem diversas variáveis moleculares, como metilação, citogenética e variantes genéticas, que em conjunto são caras e complexas demais para uso em toda prática clínica, ainda mais no contexto de saúde pública; além disso, a escolha de alguns exames fáceis de aplicar e, ao mesmo tempo, altamente precisos é um grande desafio, particularmente para meningiomas de Grau II da Organização Mundial da Saúde (OMS), ao decidir pela adjuvância com radioterapia. Este estudo teve como objetivo revisar a associação entre variantes patogênicas e desfechos clínicos em meningiomas. Trata-se de uma revisão sistemática com metanálise, conduzidas seguindo as diretrizes PRISMA, utilizando as bases de dados PubMed, EMBASE, Web of Science e Scopus para identificar estudos publicados até novembro de 2024. Foram incluídos estudos que investigaram alterações genéticas em meningiomas com dados prognósticos (recorrência ou sobrevida) e um tamanho amostral mínimo de cinco pacientes; séries de casos, cartas, relatos e revisões foram excluídos. De forma independente, dois revisores extraíram e analisaram os dados com a ferramenta Rayyan e avaliaram a qualidade e o risco de viés usando a ferramenta QUIPS. Dos 3.032 estudos identificados, 20 preencheram os critérios de inclusão. As variantes patogênicas mais frequentemente estudadas foram TERTp e NF2, ambas associadas a menor sobrevida livre de recorrência (RFS) TERTp RFS (HR 4,35, IC 95% 2,87-6,60) e NF2 RFS (HR 1,49, IC 95% 1,04-2,14) e sobrevida global (OS), respectivamente, TERTp OS (HR 2,55, IC 95% 1,25-5,22) e NF2 OS (HR 2,98, IC 95% 1,37-6,49). A análise de subgrupos sugeriu que a variante TERTp não é boa preditora de menor sobrevida para meningiomas OMS Grau III, mas uma boa preditora, sim, globalmente. As variantes NF2 também perdem precisão com meningiomas agressivos, reforçando sua relação com o início mais do que com a progressão. Além disso, KLF4 foi identificado como fator de proteção, enquanto CDKN2A/B foi identificado como fator de risco, e TARF7, grupo ARID, POLR2A e AKT1 apresentaram resultados inconclusivos. Esta revisão sistemática destaca a importância das variantes patogênicas, particularmente TERTp e NF2, como marcadores prognósticos em meningiomas intracranianos. Embora seja necessário aprimorar a compreensão do tema, esses achados ressaltam o potencial da integração do perfil genético à prática clínica para refinar a estratificação de risco e orientar estratégias terapêuticas personalizadas, melhorando, em última análise, os desfechos e a qualidade de vida dos pacientes.

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