Avaliação do controle motor em indivíduos com paralisia cerebral utilizando a lei de FITTS
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Indivíduos com Paralisia Cerebral (PC) apresentam disfunções sensório- motoras que dificultam o controle e a execução de movimentos. Uma possibilidade para analisar o controle motor desses indivíduos é por meio da análise da relação entre a acurácia e velocidade de movimento. Esta relação pode ser explicada pela Lei de Fitts, que se caracteriza pela verificação do tempo de movimento que o indivíduo necessita para atingir alvos de diferentes dimensões (acurácia). Devido às dificuldades funcionais de indivíduos com PC, este estudo teve como objetivo verificar o controle motor de membros superiores em indivíduos com PC considerando a relação entre acurácia e velocidade de movimento e comparar com o desempenho de indivíduos com desenvolvimento típico. Foram avaliados 96 indivíduos com média de idade de 15,02±6,37 anos, sendo que 48 indivíduos apresentavam diagnóstico médico de PC (grupo PC) e 48 com desenvolvimento típico (grupo DT) pareados por idade e sexo. Para a análise do controle motor, foi utilizado o "Fitts Reciprocal Aiming Task v.1.0 (Horizontal)”, um software computacional que simula a Lei de Fitts com índices de dificuldade progressivos (ID2, ID4a e ID4b). Cada índice de dificuldade (ID) foi realizado três vezes, e o total de tempo e toques foram registrados. Para análise estatística, utilizou-se a MANOVA para comparar as médias dos grupos para as variáveis: b0 (intercepto), b1 (inclinação da curva) e r2 (dispersão do tempo de movimento). Quanto às medidas repetidas, foi utilizado ANOVA para verificar o aumento do tempo de movimento e o coeficiente de correlação de Pearson para as associações considerando p<0,05. Ao analisar os resultados não houve diferença entre os grupos em relação à inclinação da curva e os dados de dispersão do tempo de movimento. No entanto, os valores da ordenada apresentaram diferenças significativas [F(1,95)=11,3; p=0,001], com maior tempo de movimento no grupo PC [média=1150±1100 milissegundos (ms)] em comparação com o grupo DT (média=560±70ms). Além disso, o tempo de movimento aumentou significativamente do ID2 (média=1019±60ms) para o ID4a (média=1449±60ms). Um efeito entre grupos foi encontrado e observou-se que os indivíduos com PC (média=1575±80ms) foram 682ms mais lentos do que o grupo DT (média=893±80ms). O tempo de movimento também aumentou do ID4a (média=1449±60ms) para o ID4b (média=1614±6ms). No entanto, esse aumento foi significativo somente no grupo PC do ID4a (média=1791±92ms) para o ID4b (média=2157±154ms), o que não ocorreu no grupo DT (média=1107±92ms; média=1071±154ms), respectivamente. Portanto, os indivíduos com PC apresentaram significativamente mais tempo de movimento em relação os indivíduos com DT em todos os índices de dificuldade, fato que demonstra dificuldade dos indivíduos com PC na velocidade e acurácia do movimento. No entanto, esta dificuldade foi maior quando a tarefa exigia mais acurácia. Este achado pode ser confirmado pelo maior tempo de movimento no ID4b (índice de dificuldade que exigia maior acurácia)
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