Infecção cérvico vaginal pelo HPV em mulheres portadoras de sífilis: estudo caso-controle

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A sífilis e o Papilomavirus humano (HPV) são infecções sexualmente transmissíveis que podem atingir mulheres do mesmo grupo de risco. Não há, no entanto, estudos sobre a coinfecção de sífilis e HPV e sua repercussão sobre a saúde sexual e reprodutiva feminina. Assim, o presente estudo teve como objetivo principal, investigar a prevalência de HPV numa população de mulheres com e sem sífilis e, na presença coinfecção, analisar se a sífilis pode ser um agravante para desenvolvimento do câncer de colo uterino (CCU), além de avaliar os fatores sociodemográficos associados à coinfecção (artigo 1). Os objetivos secundários foram desenvolver uma revisão integrativa acerca das coinfecções por HPV (artigo 2) e analisar os dados secundários obtidos do DATASUS quanto a variáveis de infecções registradas de sífilis adquirida e sífilis congênita no Brasil no século XXI (artigo 3). O artigo 1 é um estudo caso-controle, transversal, conduzido entre janeiro de 2018 e junho de 2021 em um centro de testagem e treinamento de DST Aids brasileiro. O grupo caso foi composto por mulheres infectadas por sífilis. O grupo controle foi composto por mulheres sem sífilis. Os grupos foram pareados por idade e investigados quanto a presença de HPV, subtipo de HPV e grau das lesões. Todas as mulheres foram submetidas à entrevista sociodemográfica, coleta de dados clínicos, coleta de material para análise citopatológica e teste de captura híbrida para diagnóstico do HPV. A amostra foi composta por 176 mulheres, 88 no grupo Caso e 88 no grupo Controle. A prevalência de HPV foi de 14,8% no grupo Caso (n=13) e 18,1% no grupo Controle (n=16) não havendo diferença estatisticamente significante de incidência entre os grupos. Das pacientes com sinais sugestivos de ISTs, 30% (6) tinham HPV de alto risco entre casos e controles e 15% (3) apresentaram coinfecção. A avaliação citopatológica observou que não houve diferença entre os grupos quanto a presença de atipias celulares, porém a ASC-US (lesões escamosas possivelmente não neoplásicas) e ASC-H (lesões escamosas de alto grau) foram observadas apenas em pacientes com coinfecção, sendo que 75% possuíam HPV de alto risco. Considerando a distribuição das lesões no colo do útero o grau HSIL foi observado em pacientes de HPV alto risco, tanto casos como controles. A prevalência de HPV não foi maior em pacientes infectadas por sífilis. Observou-se diferença quanto ao nível de escolaridade, sendo o analfabetismo mais prevalente no grupo controle (p = 0,023). O nível de escolaridade não foi vinculado ao grupo infectado pelas ISTs. Desta forma, concluiu-se que a coinfecção por sífilis e HPV não parece ser um agravante para a presença de lesões precursoras de câncer de colo uterino nas mulheres avaliadas. Estudos multicêntricos com maior número de pacientes ou o seguimento das pacientes coinfectadas em coorte poderão corroborar os achados do presente estudo.

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