Câncer de mama: correlação do estadiamento com variáveis clínico-epidemiológicas e o tempo decorrido para o início do tratamento

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INTRODUÇÃO: As taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas no Brasil, sendo um importante problema de Saúde Pública. Isso ocorre em parte porque a doença ainda é diagnosticada em estádios mais avançados. A dificuldade de diagnóstico e de acesso a tratamento especializado pode comprometer sobremaneira o prognóstico das pacientes. Quanto maior o tempo decorrido entre o diagnóstico e o início do tratamento oncológico, mais avançado se torna o estadiamento do câncer e, consequentemente, menores são as taxas de cura. OBJETIVO: Analisar o estadiamento do câncer de mama, suas correlações com variáveis clínico-epidemiológicas e com o tempo decorrido para o início do tratamento oncológico. MÉTODO: Estudo descritivo com mulheres diagnosticadas com câncer de mama, que receberam tratamento entre 2012 e 2014 no Centro de Oncologia do Cariri (COC), hospital de referência situado no interior do Nordeste do Brasil, no estado do Ceará. A coleta de dados foi realizada a partir da base de dados do Registro Hospitalar de Câncer, que é interligada ao sítio eletrônico do Instituto Nacional de Câncer do Brasil. Os dados foram armazenados em planilha eletrônica (Microsoft Excel 2010) e a análise estatística dos dados foi realizada com o Statistical Package for the Social Science (SPSS), versão 20.0. Foram utilizadas estatística descritiva e o coeficiente de correlação de Spearman. RESULTADOS: A amostra foi constituída por 478 mulheres. Com relação ao estadiamento, verificou-se que 61,5% dos casos foram agrupados como doença inicial. De acordo com a classificação histológica da lesão tumoral, 92,3% dos tumores eram do subtipo histológico carcinoma ductal infiltrante. Do total, 413 mulheres tinham diagnóstico confirmado e buscaram tratamento, sendo que 41,4% demoraram mais do que 60 dias entre o diagnóstico e a primeira consulta no hospital e dentre essas pacientes, 22% demoraram mais do que 90 dias para realizarem a primeira consulta médica na Oncologia. Quanto ao início do tratamento, 63,4% esperaram mais do que o tempo previsto em lei, tendo demorado mais de 60 dias entre o diagnóstico de câncer e o início do tratamento. Dessas, 42,9% demoraram mais de 90 dias. Ao ser feita a correlação entre estádio clínico e escolaridade das pacientes, percebe-se que há uma relação inversa com significância estatística, assim como relação inversa entre estádio e cirurgia. CONCLUSÃO: Verificou-se que o estadiamento tem uma relação inversa com a escolaridade e com o tipo de cirurgia realizada, e que na maioria dos casos o tempo previsto para o início do tratamento oncológico ultrapassou os 60 dias previstos em lei.

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