Barreiras, facilitadores, estigma e intersetorialidade: uma análise da atenção à saúde prestada à população em situação de rua em município de médio porte
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O acesso aos recursos e serviços de saúde destinados às populações vulnerabilizadas é permeado por diversas barreiras, que abrange desde preconceitos e estigmas até questões burocráticas aplicáveis, mesmo diante da existência de políticas específicas e resoluções concebidas para mitigar tal problemática. Nesse contexto, destaca-se a População em Situação de Rua (PSR), historicamente marginalizada, que enfrenta a falta de assistência de forma recorrente, muitas vezes associada à ausência de documentação individual ou à falta de conhecimento sobre a rede de apoio disponível. Este estudo pretendeu compreender como ocorre o cuidado em saúde frente à PSR em um município de porte médio, os mecanismos e estratégias cotidianas usadas, identificando possíveis barreiras e facilitadores de acesso à saúde, assistência e ao cuidado. Para tanto, foi realizada uma pesquisa quanti-qualitativa. Na etapa quantitativa, foram utilizados dados retirados do: 1) Cadastro Único; 2) Vigilância Socioassistencial do Ministério de Desenvolvimento Social; 3) Mapas estratégicos para políticas de cidadania e; 4) Portal de mapas IBGE. Estabeleceu-se uma análise sociodemográfica e uma representação socioespacial que cruza os dados da amostra pesquisada e a distribuição dos serviços assistenciais e de saúde caracterizados por setor censitário. Na abordagem qualitativa, foram realizadas entrevistas em profundidade com profissionais que lidavam com a PSR, identificados pela técnica “bola de neve”, sejam eles da vertente saúde, assistência social e filantropia. Foi realizada para análise uma codificação aberta inicial, encontrando termos ou frases para categorizar partes dos dados para que possamos trabalhar com eles. Ao codificar, você primeiro identifica os temas que aparecem em seus dados e, depois, subtemas e conceitos mais detalhados, a partir da codificação focada. Os dados foram processados manualmente e ainda com o auxílio do software IRAMUTEQ. foi possível concluir que a atenção à saúde destinada à população em situação de rua no município estudado acontece sem um estabelecimento de fluxo e rede específica, é ainda permeada por barreiras de acesso de ordem burocrática e de inespecificidade da atenção ainda na abordagem. Evidenciou-se que os setores de Assistência social e Filantropia tentam construir caminhos para o setor Saúde, contudo apenas consideraram como facilitador a época pandêmica em que o acesso à saúde pode ser acessado uma vez que a PSR estava em abrigo temporário. A realidade estudada demonstrou uma parcela representativa de pessoas em extrema pobreza, poucos cadastros efetivamente como situação de rua, embora haja cadastros com moradia coletiva e improvisada e ainda ações filantrópicas de acolhimento e assistência direcionadas para esse público. Todos os serviços já se encontraram entre si na lida com PSR. Evidenciou-se ainda que a saúde mental foi um fator condicionante na fragilização dos vínculos familiares e no processo de rualização. Outro achado importante foi a figura do andarilho enquanto possibilidade de ampliação do conceito da PSR, uma vez que, diferente dos nômades por estilo de vida, os andarilhos também experimentam a extrema pobreza e ruptura de vínculos enquanto vivenciam a situação de rua.
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