Relação entre padrões de consumo de álcool e transtornos mentais comuns em estudantes de medicina
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O alcoolismo entre estudantes de medicina é um problema de saúde pública mundialmente reconhecido. No espectro do consumo de álcool está caracterizada a prática de binge drinking (BD), que consiste na ingestão em excesso de bebida alcoólica em um único episódio, trazendo consequências que vão de um sofrimento psíquico a problemas familiares e sociais. Também existem dados que mostram a relação entre o consumo de álcool e a prevalência de transtornos mentais comuns (TMCs), com consequências em problemas escolares (baixo rendimento escolar) e comportamentais (envolvimento em brigas) e de saúde (não uso de preservativo levando a aumento de gravidez indesejada e a doenças sexualmente transmissíveis). Entretanto, poucos dados relacionam os transtornos mentais comuns estritamente com o binge drinking. O estudo tem como objetivo verificar a relação entre os padrões de consumo de álcool, com ênfase no padrão binge drinking e transtorno mental comum entre estudantes de medicina. Trata-se de uma pesquisa de corte transversal cuja amostra compõe-se de 281 sujeitos, matriculados no curso de medicina de uma instituição no interior do Ceará, Brasil. Os instrumentos utilizados foram: rastreamento dos padrões de consumo do álcool, o AUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test), e o SRQ-20 (Self Report Questionnaire), que sugere nível de suspeição de algum transtorno mental. Para análise dos dados foram utilizados: teste de Qui-quadrado, regressão de Poisson com variância robusta; teste correlação de Spearman; teste de Kruskal-Wallis e para a análise multivariada dos fatores associados à prática de BD e a presença de transtornos mentais comuns na amostra, foi utilizado o Hierarchical Cluster Analysis (HCA). Dos 281 sujeitos, 129 eram do gênero feminino e 152 do gênero masculino. Dos participantes, 68% declararam consumir bebidas alcoólicas, 48,8% faziam uso em BD. Em relação à condição mental, 27% têm classificação positiva para TMC. Houve associação significativa (p=0,026) entre a prevalência de TMC nos abstêmios (34,44%) e a de TMC nas pessoas que praticam BD (21,17%), sendo a prevalência de TMC nas pessoas que praticam BD 39% (IC95% 6% – 61%) menor do que a de TMC nas pessoas abstêmias. Pela análise do Hierarchical Cluster Analysis (HCA), verificou-se que os estudantes do gênero masculino tiveram maior chance de praticarem BD e que as mulheres abstêmias tiveram maior chance de desenvolverem TMC. Conclui-se que os dados obtidos são consistentes com o indicado na literatura especializada sobre a presença de índices elevados de alcoolismo entre estudantes de medicina, e sobre a elevada incidência de transtorno mental comum nesse público; o dado inédito do trabalho é o indício de que o binge drinking não necessariamente esteja associado à transtorno mental comum, o qual está mais presente em mulheres abstêmias
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