Ações intersetoriais para a saúde em áreas de alta vulnerabilidade social em São Paulo: estudo com métodos mistos
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Introdução: Como as áreas de pobreza são ambientes socioeconômicos complexos e limitadores, é necessário desenvolver ações intrasetoriais e intersetoriais no território da saúde. Os espaços altamente vulneráveis são difíceis de estudar devido a inúmeras barreiras geográficas e sociais, embora precisem de informações que possam apoiar ações intersetoriais para enfrentar as desigualdades sociais. Esta pesquisa tem como objetivo compreender a relação entre ações intrasetoriais e intersetoriais para os agrupamentos de saúde e socioambientais dos territórios de saúde mais vulneráveis da cidade de São Paulo e identificar quais os parceiros mais frequentes dessas ações e como os profissionais vivenciam essas parcerias em suas vidas diárias. Corbin et al. (2016) listaram os principais elementos constituintes das colaborações intersetoriais os quais buscamos explorar com a existência de tempos e com resultados das ações.
Método: Adotamos o método misto sequencial explanatório. Na primeira fase, um formulário on-line foi aplicado e identifica as Unidades Básicas de Saúde (UBS) onde ocorrem ações intersetoriais com mais parceiros. Na segunda fase, exploramos como os profissionais consideram as características do território onde atuam para buscar parcerias e como realizam as ações. Resultados: As análise bivaridas concluíram que mais de 98% das UBS realizam parcerias intra e intersetoriais; e não há relação entre os índices dos grupos mais vulneráveis e a presença de ações intra e intersetoriais. As melhorias ambientais foram relacionadas aos resultados de parcerias intersetoriais mais apontadas pelos gestores da UBS. Para 71,7% dos participantes, parcerias intersetoriais que permanecem por mais de dois anos estão relacionadas a criação de hábitos saudáveis (p = 0,006). A ampla participação de diversos setores da saúde foi associada aos seguintes desfechos: redução de doenças transmissíveis em 56,8% (p = 0,028) e hábitos alimentares saudáveis em 72,9% (p = 0,002) com significância estatística p <0,05. A análise de conteúdo das transcrições literais apontou que: as práticas intra e intersetoriais desenvolvidas nos territórios da saúde foram motivadas pelas necessidades de tratamento de doenças ou pelas precárias condições de vida de indivíduos ou coletividades. No entanto, para prestar assistência aos diferentes tipos de violência, os
profissionais de saúde evitam buscar parcerias, inclusive com o Conselho Tutelar e o Centro de Direitos Humanos. A avaliação para melhoria contínua das parcerias é escassa no cotidiano dos participantes, fato que pode causar fragilidade e falta de sustentabilidade nos resultados. Descobrimos que havia uma congruência entre dados quantitativos e quantitativos sobre os resultados das ações, a ampla participação dos parceiros, a ausência de avaliações de parcerias e os líderes que inspiram confiança. Conclusão: A
construção de parcerias personalizadas para a saúde individual e coletiva, a fim de lidar com as desigualdades sociais; doenças crônicas e fases do ciclo de vida envolvidas em fragilidades socioeconômicas que geram mais pobreza fazem parte do trabalho dos profissionais da UBS. É necessário deixar a fragmentação, para tecer qualidade de vida com diferentes setores e atores em bases territoriais onde a vida acontece.
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