Nefrectomia parcial laparoscópica sem clampeamento do pedículo renal
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Introdução: o carcinoma de células renais (CCR) corresponde a cerca de 2-3% de todas as doenças malignas no adulto e a 90-95% das neoplasias renais. O tratamento curativo é eminentemente cirúrgico, os primeiros relatos descrevendo a nefrectomia parcial laparoscópica (NPL) datam do início da década de noventa, desde então a NPL tem se consolidado como um procedimento seguro e reprodutível. Buscando então melhorar os resultados da NPL com relação à função renal pós-operatória, mantendo os benefícios da cirurgia minimamente invasiva, alguns cirurgiões passaram a implementar em casos selecionados a técnica de nefrectomia parcial laparoscópica sem clampeamento do pedículo renal (NPLSC). Objetivo: comparar os resultados peri-operatórios, oncológicos e funcionais dos pacientes submetidos a NPL com clampeamento do pedículo renal (NPLCC) e NLPSC nos hospitais ligados à nossa instituição. Material e método: foi realizado levantamento de todos prontuários dos pacientes submetidos a NPL no período de janeiro de 2000 até janeiro de 2016. Os pacientes foram divididos em 2 grupos: NPLCC (grupo CC) e NPLSC (grupo SC). Resultados: foram coletados dados de 177 pacientes submetidos a NPL por neoplasias renais sendo 88 pacientes (49,7%) no grupo CC e 89 (50,3%) no grupo SC. As margens cirúrgicas foram positivas em 5 pacientes (3,14%) não havendo diferença significante a despeito da técnica aplicada. As complicações pós-operatórias Clavien 3 ou 4 aconteceram em 5 casos (5,68%) no grupo CC e 3 casos no grupo SC (3,7%) não apresentando diferença estre os grupos. Os pacientes do grupo CC evoluíram com níveis mais elevados de creatinina no pós-operatório (creatinina 1,01 ± 0,16 pré-operatória x 1,12 ± 0,18 pós-operatória, p =0,031) e piora na taxa de filtração glomerular estimada (EGFR) (pré-operatória 79,18 ± 16,28 x 74,43 ± 21,06 pós-operatória, p=0,017). Discussão: nossa casuística é concordante com os resultados de trabalhos prévios com relação a sangramento de maior monta nos pacientes submetidos a NPLSC quando comparados aos submetidos a NPLCC. Entretanto apesar do sangramento e do tempo cirúrgico serem maiores no grupo SC, não houve impacto na evolução pós-operatória dos pacientes tanto com relação a necessidade de transfusões de hemoderivados como em relação a complicações graves. Nos tumores de alta complexidade o tempo de isquemia quente (TIQ) médio no grupo NPLCC foi maior, isso provavelmente foi o responsável por uma melhor resposta no grupo NPLSC evoluindo os pacientes com menores níveis de creatinina e melhores taxas de filtração glomerular no pós-operatório. Conclusão: A NPLSC tem se mostrado uma técnica igualmente eficaz, segura, factível, com baixos índices de transfusão de hemoderivados e complicações pós-operatórias comparáveis à NPLCC, além de apresentar resultados oncológicos similares. O principal fator impactante na disfunção renal a longo prazo é o TIQ que pode ser completamente eliminado com o emprego da NPLSC.
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