Desigualdade regional, médicos no SUS e condições de saúde no Brasil: impacto nos gastos, internações e mortalidade (2016-2018)
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Introdução: As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) representam um grave problema de saúde pública no Brasil, com notáveis disparidades sociais e regionais. Nesse sentido, destaca-se o câncer, em especial o de mama – mais frequente em mulheres e negligenciado em homens –, o de pulmão – um dos mais comuns em ambos os sexos –, e o de ovário, notório por sua letalidade. Objetivo: Avaliar a associação entre o número de médicos no Sistema Único de Saúde (SUS) e o número de internações e taxas de mortalidade devido às DCNT e cânceres específicos (mama, ovário, pulmão) no Brasil, e como a desigualdade de renda pode influenciar esses desfechos. Métodos: Estudo ecológico utilizando dados secundários do sistema público de saúde brasileiro para câncer e DCNT. As taxas de mortalidade foram padronizadas por idade com base na população da OMS. Todas as taxas foram ajustadas para 100.000 habitantes, e os custos foram convertidos para dólares americanos. Para a análise, utilizou-se regressão linear com estratégia de eliminação reversa. Resultados: Foram registradas 2.423.251 mortes, com um gasto total de US$3,2 bilhões para as DCNT. A mortalidade por câncer de mama e ovário variou entre as regiões do Brasil, e a quantidade de médicos foi inversamente associada à mortalidade por câncer de mama. Para o câncer de ovário, maior número de oncologistas e maior renda foram associados à menor mortalidade. Para o câncer de pulmão, variáveis como o sexo feminino associaram-se a menores taxas de mortalidade. Para as DCNT, a desigualdade de renda se correlacionou inversamente com gastos totais e internações hospitalares, mas não houve correlação significativa com o número de médicos no SUS. Conclusões: As taxas de mortalidade para os tipos de câncer estudados apresentaram variação regional, e os resultados sugerem que uma maior alocação de médicos especializados e maior renda estão associadas a melhores desfechos de mortalidade. Para as DCNT, a desigualdade de renda teve impacto nos custos e internações, mas o número de médicos do SUS não se correlacionou diretamente com a mortalidade. Esses dados evidenciam a importância de políticas públicas mais eficazes para a locação de recursos para melhores resultados em saúde .
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