Saúde de crianças e adolescentes em comunidades vulneráveis no norte do Brasil
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As desigualdades observadas nos serviços de saúde apontam consistentemente para a desvantagem entre os grupos raciais e maior morbi-mortalidade por doenças crônicas em crianças e adolescentes nos países de baixa e média renda. A atenção primária à saúde de alta qualidade representa um caminho para responder a estas e outras crescentes necessidades de saúde. Este estudo objetivou discutir a saúde infantil em comunidades quilombolas no norte do Brasil através da avaliação em dois eixos: a qualidade dos atributos da Atenção Primária à Saúde (APS) prestada pelas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) e os fatores associados a distúrbios da pressão arterial em crianças e adolescentes residentes em cinco comunidades quilombolas no estado do Tocantins/Brasil. O primeiro foi realizado com 68 cuidadores das crianças residentes e cadastradas nas equipes de saúde da família dos quilombos. Para coleta de dados utilizou-se o instrumento PCATool-Brasil (versão criança), usado para coletar informações sobre a qualidade das experiências de atenção primária ofertada a saúde infantil. Os maiores escores foram afiliação (10), utilização (8,45) e sistema de informação (8,24). Os piores escores foram acessibilidade (6,01), serviços disponíveis (6,57) e escore essencial (4,42). O segundo participaram 67 crianças de 10 à 17 anos, onde comparamos as variáveis estudadas entre os grupos normotensos e não-normotensos. A pressão arterial elevada foi definida como pressão arterial sistólica ou diastólica média = percentil 90 para idade, altura, sexo. A proporção de crianças e adolescentes com distúrbios da pressão arterial foi de 19,4% (pré-hipertensão 14,9% e hipertensão 4,5%). Na análise de regressão de Poisson (p<0,05), entre crianças e adolescentes o percentual de gordura elevado foi associado com elevação da pressão arterial (p<0,021). Associações semelhantes foram observadas para o colesterol não-HDL-c (p<0,001) e o baixo consumo de cálcio (p>0,015). Este estudo destaca a necessidade de melhoria na atenção primária ofertada a saúde de crianças e adolescentes quilombolas através de ações de prevenção, promoção e tratamento de alta qualidade na atenção primária dos mais vulneráveis e marginalizados da população.
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