Processos associados ao declínio do fardo da Malária: o paradoxo da perda de floresta Amazônica

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Introdução: A malária persiste como um dos grandes problemas de saúde pública do mundo. No Brasil os casos de malária concentram-se principalmente na Região Amazônica. Objetivo: O estudo teve como objetivo descrever o paradoxo da correlação entre o atual padrão de eliminação da malária e a redução das florestas amazônicas no Brasil. Método: A investigação começou com a exploração das taxas mensais de incidência de óbitos 1979-2013 e hospitalizações de 1998-2013 atribuíveis à malária por estados brasileiros. Embora tenha sido observado um declínio acentuado da carga de malária (ou seja, mortes e hospitalizações), os estados da Amazônia Ocidental, Acre e Rondônia, mostraram focos endêmicos estabilizados. Assim, investigamos por meio de séries temporais os índices mensais de parasitas de 2009-2015 para cada município nos estados do Acre e Rondônia. Observamos que os municípios de Rondônia vêm diminuindo o índice mensal de parasitas, enquanto no estado do Acre vem ocorrendo uma transmissão estacionária da malária. Em seguida, selecionamos o município mais endêmico do Acre (Cruzeiro do Sul) para modelar as variações mensais do coeficiente dos casos de malária 2009-2015 em função de quatro conjuntos de variáveis explicativas: 1) Clima, 2) Paisagem, 3) Socioeconômico e 4) Programa de Controle da Malária. Resultados: Após a aplicação de modelos de regressão dinâmica, os parâmetros climáticos e paisagísticos tiveram contribuições importantes: a precipitação foi fortemente correlacionada com o aumento da malária, enquanto o desmatamento foi correlacionado com o declínio da malária. Ambos os resultados podem ser esperados porque representam parâmetros importantes (água e floresta) associados à disponibilidade de habitat para os mosquitos principalmente o Anopheles darlingi. Para validar esse resultado, estimamos o desmatamento no mesmo período para os municípios de Acre e Rondônia com maior incidência de malária. Descobrimos que os municípios do Acre preservaram sua cobertura vegetal, enquanto os municípios de Rondônia aceleraram a perda da cobertura florestal. O estado do Acre tem uma política de preservação da floresta como uma assinatura digital. No entanto, o estado de Rondônia tem utilizado o desmatamento florestal e a pecuária extensiva como meta de desenvolvimento econômico para ocupar terras. Conclusão: Esses resultados indicam caminhos na agenda de eliminação da malária e pode definir o rumo das florestas amazônicas. Todavia, como essas florestas são importantes para a sobrevivência humana, diante desse cenário, investir em políticas públicas eficientes de controle a malária por meio da melhoria da dimensão socioeconômica, seria essencial.

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