Avaliação da expressão imunohistoquímica dos biomarcadores p53, Ki63, ERG, MYC e PTEN no câncer de próstata Gleason 3 e no tecido prostático benigno como fatores preditivos de Gleason 4 adjacente: implicação na vigilância ativa

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Introdução: A presença de câncer de próstata (CaP) Gleason padrão 4 ou 5 na biópsia, em geral, é o principal determinante na contraindicação da Vigilância Ativa (VA). Os principais fatores relacionados a dificuldade e falha na estratificação de risco do CaP são: presença de multifocalidade da doença, possibilidade de falha de amostragem na biópsia e limitações inerentes da análise morfológica anatomopatológica. O presente estudo teve como objetivo avaliar a expressão imunohistoquímica, no CaP Gleason 3 e no tecido prostático benigno (TPB), de oncogenes relacionados a recorrência (MYC e ERG), supressão (PTEN e p53) e proliferação (Ki67) tumoral como biomarcadores preditivos de presença de Gleason padrão 4 adjacente em pacientes candidatos a vigilância ativa. Métodos: Estudo transversal de 37 pacientes com diagnóstico de CaP localizado e de muito baixo risco (critérios de Epstein) submetidos a prostatectomia radical no período de 2008 a 2014. Os pacientes foram divididos em dois grupos de acordo a com resultado anatomopatológico da peça cirúrgica. Grupo 1, escore de Gleason 6 (padrão 3+3, n=17) e Grupo 2, escore de Gleason 7 (padrão 3+4 ou 4+3, n=20). Avaliou-se através de imunohistoquímica a expressão absoluta e relativa (relação da expressão do tecido neoplásico e do TPB na mesma lâmina) dos biomarcadores p53, Ki67, ERG, MYC e PTEN em amostras parafinadas de tecido prostático benigno e neoplásico (Gleason padrão 3 ou 4). A coloração nuclear (p53, Ki67, ERG e MYC) ou citoplasmática (PTEN) foi mensurada eletronicamente através de análise digital da imagem. Resultados: A expressão absoluta dos marcadores Ki67, ERG e MYC foi significativamente maior no tecido neoplásico quando comparada ao TPB em ambos os grupos; a do PTEN foi significativamente menor e o p53 não apresentou diferença estatística significativa. Na comparação das áreas entre Gleason 3 e Gleason 4, do grupo 2, não se observou diferença na expressão de nenhum dos biomarcadores estudados. Em análise univariada, quando se comparou a expressão absoluta dos biomarcadores em amostras de CaP Gleason 3 dos dois grupos, o Ki67 foi o único fator independente a fim de predizer a presença de Gleason 4 adjacente (ISUP 2 ou 3). Em análise multivariada, na qual se incluiu a expressão relativa dos biomarcadores no CaP Gleason 3, associada a idade e PSA, foi observado que apenas o PTEN apresentou-se como fator independente de presença de Gleason 4 adjacente (ISUP 2 ou 3) (RC=1, IC=1,03-1,31). Conclusão: O aumento da expressão absoluta do Ki67 e a perda da expressão do PTEN na análise imunohistoquímica, associados a idade e nível de PSA, foram preditores de presença de Gleason 4 adjacente. Esses achados em conjunto aos nomogramas clinico-patológicos podem auxiliar na identificação de alterações biológicas sugestivas de CaP Gleason 4 não amostrado, e assim serem utilizados como instrumento para aprimorar a seleção de pacientes candidatos a vigilância ativa.

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