Influência da ordem de exercícios de alongamento muscular inclusive combinados com treinamento resistido sobre as respostas cardiovasculares e autonômicas
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O alongamento muscular é um importante exercício para desenvolver e manter os níveis de amplitude de movimento articular adequados à uma vida saudável. Sem envolver impacto osteoarticular, o uso deste exercício serve como importante ferramenta na prescrição clínica. Apesar de largamente utilizado no meio terapêutico, existem muitas polêmicas e controvérsias acerca da utilização dos mesmos. Publicações recentes apontam para uma perda músculo-tendínea de tensão passiva pós-alongamento e redução do aporte de oxigênio, levando à uma perda de produção de força em função de menor recrutamento de unidades motoras, fato este que parece gerar uma compensação metabólica. A ordem dos exercícios está dentre as principais variáveis metodológicas do treinamento. Esta variável possui grande apelo nas prescrições de exercício e vem sendo alvo de diversas pesquisas. Entretanto, existem muitas dúvidas na ordem de prescrição dos exercícios de alongamento quando combinados aos exercícios resistidos e, nenhum estudo se destinou a investigar os efeitos da ordem de exercícios de alongamento muscular isoladamente sobre o sistema cardiovascular. No presente estudo, a hipótese inicial levantada foi a de que os exercícios de alongamento estático aumentam a sobrecarga cardíaca independente da ordem dos exercícios, especialmente quando combinados com exercícios resistidos. Assim, objetivou-se através de 2 experimentos distintos, envolvendo vinte e nove voluntários (n = 29), verificar o efeito da ordem de exercícios de alongamento muscular sobre as respostas cardiovasculares e autonômicas. No primeiro experimento, buscou-se investigar o efeito agudo de diferentes ordens de exercícios de alongamento estático em combinação com os exercícios resistidos. Já no segundo, foi investigar o efeito agudo de diferentes ordens de alongamento estático de acordo com a massa muscular envolvida sem combinação com outro tipo de exercício. Os resultados demonstraram que os exercícios de alongamento estático aumentam significantemente (P<0,05) a frequência cardíaca, pressão arterial, duplo produto e geram supressão significante (p < 0,05) do índice vagal rMSSD. Tais exercícios também reduzem significantemente (p < 0,05) o aporte de oxigênio, aumentando a sobrecarga cardíaca independente da ordem de execução. Esta sobrecarga ocorre especialmente na combinação com exercícios resistidos, tornando o treinamento mais intenso quando o alongamento é realizado no início da sessão, em que também foi demonstrado aumento significante (P<0,05) da modulação simpática com base na análise do índice LF. Além disso, foi demonstrado que quando os exercícios são ordenados em função do tamanho da massa muscular envolvida, existe maior sobrecarga com a realização do alongamento estático dos maiores grupamentos musculares, pois ocorre aumento significantemente maior da pressão arterial e duplo produto (P<0,05). Portanto, os exercícios de alongamento muscular estático, contrariamente aos saberes empíricos, aumentam a sobrecarga do coração e, devem seguir cuidados e critérios de prescrição, sobretudo em populações com elevado risco cardíaco e quando combinados a outros tipos de exercícios como os resistidos.
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