Protocolo de exercícios terapêuticos durante a internação hospitalar em pacientes oncohematológicos pediátricos: ensaio clínico randomizado
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Introdução: Em países em desenvolvimento, a população de pediátrica chega a 50% e a proporção de câncer infantil representa de 3% a 10% do total de neoplasias, sendo que as leucemias, linfomas e tumores do sistema nervoso central (SNC) são as mais frequentes. Na maioria da população, esse tipo de câncer corresponde de 1% a 4% de todas as neoplasias. Os tipos predominantes de cânceres pediátricos (entre 0 e 19 anos) são leucemia (28%), SNC (26%) e linfomas (8%). Um dos principais tipos de tratamento para o câncer hematológico é a quimioterapia, a qual está comumente relacionada com efeitos colaterais nas funções neurológicas, cognitivas e motoras. Entre as principais complicações, podemos citar déficit nas habilidades motoras grossas e finas, alterações de equilíbrio, diminuição de força muscular e fadiga. Na literatura já há evidências de que a fisioterapia desde a internação hospitalar pode ter impacto positivo no curso da doença e na prevenção de complicações secundárias de efeitos a longo prazo. Objetivo: Avaliar os efeitos de um programa de exercícios terapêuticos na qualidade de vida em pacientes oncohematológicos pediátricos durante a internação hospitalar. Método: Os participantes do estudo foram randomizados e alocados em 2 grupos: Grupo Intervenção (GI) e Grupo Controle (GC), composto com 15 participantes cada, com idades entre 8 e 17 anos, internados com diagnóstico de doenças oncohematológicas na enfermaria pediátrica do Hospital Estadual Mário Covas de Santo André. Todos os participantes foram avaliados através do teste de caminhada dos 6 minutos (TC6), força muscular através de dinamometria de preensão manual e dos questionários: PedsQL - Escala multidimensional de fadiga e QOL PedsQL – Escala de qualidade de vida (módulo câncer) na admissão hospitalar e reavaliados no dia da alta hospitalar. Os componentes do GI, foram submetidos a um protocolo de atendimento fisioterapêutico que consistia em exercícios realizados 1 vez ao dia durante todo o período de internação hospitalar, com duração de 25 minutos e composto por exercícios aeróbicos, exercícios resistidos e exercícios respiratórios associados a membros superiores e orientados a deambulação. O GC foi composto por participantes que realizaram apenas exercícios respiratórios associados a membros superiores e orientações de deambulação. Resultados: Na escala multidimensional de fadiga, a avaliação da fadiga geral no GC aumentou de 17,45±5,27 para 54,18±18,76 (p<0,01) e no GI aumentou de 17,75±4,84 para 56,11±18,95 (p<0,001). Não houve diferença significativa entre os grupos na fadiga geral (p=0,777). Não houve diferença significativa entre os grupos na fadiga relacionada ao sono (p=0,444). A avaliação de fadiga cognitiva, no GC aumentou de 38,63±9,63 para 51,39±14,58 (p<0,001) e no GI aumentou de 40,25±10,26 para 53,06±18,59 (p<0,001). Não houve diferença significativa entre os grupos na fadiga cognitiva (p=0,990). Conclusão: A implementação de um protocolo de exercícios aeróbicos e resistidos durante a internação hospitalar em pacientes oncohematológicos pediátricos melhorou a sensação de fadiga, porém não houve melhora da qualidade de vida geral, na capacidade funcional e na força destes pacientes.
