Fatores relacionados à personalidade entre traficantes reincidentes encarcerados: uma análise de trajetória

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No Brasil e no mundo, o álcool é a substância psicoativa mais consumida. Associado ao consumo de álcool, muitas vezes ocorre o uso concomitante de outras substâncias. Essas substâncias podem funcionar como desencadeadoras ou facilitadoras de problemas sociais e familiares, como violência doméstica, violência no trânsito, problemas comportamentais e atividades ilícitas, podendo haver agravamento das consequências quando os usuários possuem personalidade com traços de agressividade e alta impulsividade. O tráfico de drogas ilícitas é um dos crimes que tem se destacado no cenário mundial tanto pelo status que os traficantes adquirem em sua comunidade, quanto pela rentabilidade que o narcotráfico movimenta. Nesse contexto o estudo teve como objetivo explorar a partir de traços de personalidade e consumo de álcool e drogas em apenados que praticaram crime de tráfico de drogas. O estudo tratou-se de uma pesquisa do tipo exploratória e multicêntrico que aconteceu nas penitenciárias das cidades de Cajazeiras- PB e de Patos- PB, entre setembro de 2017 e janeiro de 2020, abordando sentenciados por crime de tráfico de drogas. Para a realização da pesquisa, foram utilizados questionários e instrumentos validados para investigar dados sociodemográficos, impulsividade, problemas com o uso de álcool e outras drogas e traços de personalidade. A pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética da Faculdade de Medicina do ABC, Santo André, São Paulo sob parecer 1.928.278 cumprindo todos os parâmetros de ética. Os dados foram avaliados a partir de análises bivariadas, variáveis categóricas, teste t de student e modelagem de equações estruturadas (SEM) a fim de comparar as características sociodemográficas e psicométricas entre traficantes de drogas reincidentes e não reincidentes. Foram elegíveis e abordados 206 homens sendo que, 27 (13%) se recusaram a participar da pesquisa restando assim 179 participantes, dos quais 60 (34%) cumpriam pena na Penitenciária Regional de Cajazeiras e 119 (66%) cumpriam pena na Penitenciária do Procurador Romero Nóbrega. Encontrou-se que os traficantes de drogas reincidentes eram mais jovens e mais frequentemente não brancos, haviam usado drogas ilícitas com mais frequência no último mês antes da prisão, tinham maior gravidade do uso de álcool e apresentaram maiores escores de neuroticismo e extroversão e pontuações mais baixas em agradabilidade do que presidiários não reincidentes. A partir dos resultados foi possível observar que o consumo de álcool e drogas esteve associado a prática do crime bem como a utilização e consumo de múltiplas drogas antes da execução do crime. Níveis mais elevados de impulsividade esteve presente entre os apenados e foi possível evidenciar menor nível educacional, menor renda mensal e desemprego na população em estudo. O tráfico de drogas foi construído com base no estigma e no medo, mais do que na evidência, e isso cria novos problemas sem fazer nada para resolver os que já existem, como o desemprego e a desigualdade social. Assim sendo se faz necessário a criação de políticas públicas que consigam dar um suporte à população a fim de evitar o acesso ao tráfico de drogas e suas consequências.

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