Associação entre desigualdade de renda e mortalidade materna: uma análise nas unidades federativas brasileiras no ano de 2017

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Introdução: O Brasil apresentou declínio na Mortalidade Materna nas últimas décadas, no entanto, as taxas referentes a este indicador ainda permanecem com valores altos e inaceitáveis. Evidências sugerem que a desigualdade de renda desempenha um papel importante na determinação do estado de saúde da população brasileira e mundial. Dessa forma, estudos sobre as desigualdades no risco de morte materna nas Unidades Federativas do Brasil se justificam a fim de fortalecer o debate sobre as iniquidades em saúde no país. Objetivos: Comparar o risco de morte materna nas 27 Unidades Federativas do Brasil no ano de 2017; analisar a associação da mortalidade materna com indicadores socioeconômicos; verificar os efeitos da alta desigualdade de renda na mortalidade materna. Método: Um estudo ecológico analisou a relação entre a Razão de Mortalidade Materna (RMM) e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Índice de Gini, Renda per capita e Índice de Vulnerabilidade Social (IVS). Uma regressão linear com e sem ajustes de dados foram realizadas entre mortalidade materna e indicadores socioeconômicos – Artigo I. Em adição, um segundo estudo verificou os efeitos da alta desigualdade de renda na mortalidade materna, onde esta foi classificada em baixa/moderada e alta de acordo com os tercis de distribuição do Índice de Gini. A fim de comparar e relacionar os índices, foram realizadas análises univariadas e regressões lineares pela estratégia Stepwise Backward para estimar os efeitos da alta desigualdade de renda sobre a mortalidade materna. Resultados: No primeiro artigo, ao analisar quais determinantes socioeconômicos estão relacionados às taxas de mortalidade materna, observou-se maior efeito positivo do IDH para menor RMM (ß= - 150,8; IC 95% -289,9 a - 11,7; r2 = 0,17; p=0,035). No modelo encontrado pelas seleções stepwise forward, apenas a renda per capita foi um índice relacionado à menor RMM (ß= - 0,02; IC 95% -0,05 a - 0,002; r2 = 0,15; p=0,028). No segundo estudo foi observado que nas Unidades Federativas onde há alta desigualdade de renda existe maior RMM (ß= 14.8, IC 95% 0.82 a 28.86; p=0.039) quando comparado a regiões com baixa/moderada desigualdade de renda. Conclusão: Os achados demonstraram desigualdade no risco de morte materna entre as unidades federativas, uma associação negativa entre renda per capita e RMM e que a alta desigualdade de renda parece ser um fator associado a maior mortalidade materna. Nesse contexto, torna-se evidente priorizar políticas públicas para reduzir as disparidades da morte materna no Brasil e amenizar os efeitos danosos da concentração de renda.

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