Avaliação de impacto da composição corporal de casais submetidos à fertilização assistida sobre os resultados reprodutivos
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A obesidade é considerada um problema de saúde pública no mundo, alcançando proporções epidêmicas e alarmantes nos países ocidentais. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 1,6 bilhões de adultos estão acima do peso e que, no mínimo, 400 milhões sejam obesos. Trata-se de um problema de saúde importante que pode afetar as funções reprodutivas adiando ou até mesmo impossibilitando as chances de gestação espontânea. Mulheres obesas têm risco acrescido para apresentar irregularidades menstruais, oligo ou anovulação, infertilidade, abortamento, complicações durante a gravidez e taxas de resposta pobres em mulheres submetidas à fertilização in vitro (FIV). A determinação de um método de avaliação antropométrica que melhor se associa ao risco de infertilidade pode ser de grande valia para auxiliar a conduta clínica com pacientes inférteis. Os objetivos do presente trabalho foram verificar a influência dos indicadores antropométricos Índice de Massa Corporal (IMC), Porcentagem de Gordura Corporal (%GC) medida por bioimpedância, Circunferência de Cintura (CC) e Relação Cintura Quadril (RC/Q) sobre os parâmetros seminais e os resultados de técnicas de reprodução assistida de pacientes com queixa de infertilidade além de identificar entre esses indicadores antropométricos qual apresenta uma melhor se associação com os resultados de reprodução assistida. Não encontramos diferença estatística entre categorias de IMC da ou circunferência de cintura para analise seminal. Verificamos uma correlação inversa entre o aumento dos indicadores antropométricos e resultados de hiperestimulação ovariana controlada (oócitos recuperados, oócitos em metáfase de numero de embriões e também para o desfecho do tratamento: aumento no cancelamento de ciclos e diminuição de taxas de gestação). Utilizando como parâmetro o IMC, não houve diferença entre os resultados para pacientes que uma mesma classificação de IMC mas com diferentes classificações de porcentagem de gordura corporal, mas verificamos que pacientes obesas com uma relação cintura quadril = 0,85 apresentaram uma queda nos resultados de hiperestimulação ovarina controlada quando comparadas a pacientes obesas com uma relação cintura quadril <0,85 e pacientes eutróficas com a circunferência de cintura <0,80 cm tiveram a taxa de gestação maior que o dobro (38,9% x 14,3%) quando comparadas a pacientes com a mesma classificação e IMC mas com a circunferência de cintura = 0,80 cm sendo esta diferença estatisticamente significante (p=0,02). Conclusão: A medida de circunferência de cintura se mostrou um bom método de avaliação para ser utilizado com estas pacientes, apresentando baixo custo e fácil aplicação.
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