Epidemiologia da malária na gravidez em Cruzeiro do Sul, Acre
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Introdução: A malária gestacional é responsável de uma importante morbidade e mortalidade materno-fetal e neonatal, com repercussões negativas que podem se estender inclusive até a infância. Ela é responsável não apenas por danos na saúde, senão também por prejuízos na esfera social e económica. Foi estimado que a malária por Plasmodium falciparum em gestantes foi responsável por 10-20% das mortes maternas nos países de alta transmissão para malária. Existe uma lacuna na informação referente a verdadeira intensidade da malária e as suas repercussões, em áreas de baixa transmissão como o Brasil, o que o torna importante para o entendimento e controle adequado deste problema. Este estudo foi conduzido para analisar aspectos da epidemiologia da malária na gravidez em Cruzeiro do Sul. Métodos: Trata-se de estudo observacional de corte transversal que teve lugar no Hospital da Mulher e da Criança do Juruá no período compreendido entre 01 de novembro de 2018 e 31 de outubro de 2019, onde foram recrutadas 2809 participantes por amostra de conveniência. Foi colhido sangue venoso periférico para exame hematimétrico e uma amostra de sangue por punção do dedo para exame de gota espessa em cada participante. Foram coletadas informações da mãe e do recém-nascido a partir do prontuário como também todas elas foram entrevistadas. Resultados: Total de 202 (7,2%) mulheres tiveram malária na gravidez, sendo 108 (3,8%) somente Plasmodium vivax e 94 (3,4%) Plasmodium falciparum. Vinte e sete (1%) tiveram malária perinatal, sendo 19 Plasmodium vivax (70,4%) e oito Plasmodium falciparum (29,6%). Ter malária na gravidez aumentou para oito vezes a chance de ter malária no período perinatal. Residir na zona rural, presença de febre na semana anterior ao parto, diagnóstico de malária anterior a gestação atual e acesso ao diagnóstico (microscopia de luz) foram - como esperado - positivamente associados ao diagnóstico de malária. Um total de 1145 gestantes apresentou anemia (41,2%). A anemia perinatal foi associada à malária no período perinatal (OR = 2,55, IC95% 1,11 - 5,83, p <0,03) e à malária por Plasmodium falciparum na gravidez (OR = 1,94, IC95% 1,23 - 3,04, p <0,005). Nos recémnascidos, 335 (11,9%) e 75 (2,7%) tiveram APGAR menor do que 7 aos 1 e 5 minutos, respectivamente. Vinte e três (0,8%) foram natimortos. A anemia perinatal nas mulheres foi associada a 43% mais chances de recém-nascidos com baixo escore APGAR (<7) no primeiro minuto. Por sua vez, os recém-nascidos com baixo escore APGAR (<7) no primeiro minuto tiveram chance 123 vezes maior de baixo escore APGAR (<7) após cinco minutos. Conclusão: Ficou claro que o desfecho de óbito e baixo escore APGAR nos recém-nascidos estavam dentro de uma cadeia de eventos causais que se iniciou no local de residência da mãe (rural), passando por malária na gravidez e malária e anemia no período perinatal. Particularmente, a chance de óbito do recém-nascido foi 2,5 maior nas mães com anemia em comparação com mães sem anemia (p <0,05).
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