Prevalência e fatores associados à amputação de membros inferiores em indivíduos com diabetes mellitus tipo II em hospital de referência em Fortaleza, Ceará, Brasil: estudo transversal de base hospitalar

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Introdução: o diabetes mellitus tipo 2 (DM-II) é uma das principais doenças crônicas de elevadas prevalências e incidências em todo o mundo. Suas consequências envolvem comprometimentos, principalmente, a formação de úlceras no pé diabético e as amputações de membros inferiores (AMI). As AMI são amplamente complexas, incapacitantes, dispendiosas e agravam os custos ao sistema de saúde pública. Tais complicações contribuem com amplo impacto na saúde pública e representam desafios na assistência ao cuidado básico em saúde. Objetivo: analisar a associação entre os fatores demográficos, socioeconômicos, clínicos, epidemiológicos e de atenção básica à saúde com a severidade de amputações de membros inferiores (AMI) em indivíduos com diabetes mellitus tipo II em um hospital de referência em Fortaleza, Ceará, Nordeste do Brasil. Métodos: realizou-se estudo transversal com amostra representativa de indivíduos internados com DM-II e grau de severidade de AMI: (1) pododáctilos, (2) transmetatarsiana ou infrapatelar, (3) suprapatelar, (4) desarticulação ou bilateral. Fatores potencialmente associados ao desfecho grau de severidade da amputação foram identificados em avaliação semiestruturada durante a internação hospitalar. Um instrumento de avaliação foi desenvolvido em acordo com o plano de reorganização da atenção à hipertensão arterial e ao diabetes mellitus foi aplicado a esses pacientes. As variáveis estudadas nesse foram: (1) sociodemográficas (idade, sexo, ocupação, escolaridade); (2) clínicas (anamnese, diagnóstico clínico da indicação da amputação, tempo de diagnóstico, fatores de risco, uso de medicação, doenças associadas, complicações e comorbidades); (3) caracterização de amputação (indicação clínica para amputação, membro amputado, severidade da amputação); (4) autocuidado (uso de glicosímetro, controle diário da glicose, uso de hipoglicemiante oral, uso de insulina) e (5) assistência à saúde no setor primário (conhecimento prévio da DM-II, frequência de assistência na atenção básica, aquisição de informações específicas sobre amputação em DM-II na atenção primária à saúde). As razões de prevalência do grau de severidade de amputação em função dos fatores associados foram calculadas com modelos de regressão de Poisson com variância robusta. Resultados: total de 385 pacientes prospectado em 15 meses neste estudo transversal foi descrito a seguir: (1) idade média foi de = 67 anos, (2) proporção de homens = 58%, (3) proporção de ensino fundamental incompleto = 49%, (4) proporção de residentes em Fortaleza = 55%, (5) proporção daqueles com conhecimento prévio sobre a DM-II = 85%, (6) proporção de tabagistas = 54% e (7) proporção daqueles com hipertensão arterial sistêmica = 74%. A prevalência de alto grau de severidade nas amputações (suprapatelares, com desarticulação ou bilaterais) foi elevada nessa amostra, revelando-se ser de 49% (187 / 385). Ademais, 77% não realizaram uso diário do glicosímetro, apenas 69% usaram hipoglicemiante, apenas 46% usaram insulina, apenas 55% foram regularmente assistidos na atenção básica e 68% não receberam orientações específicas sobre AMI e DM-II na atenção básica. As razões de prevalência (RP) indicaram maior prevalência na severidade da amputação por DM-II em paciente de idade maior que 67 anos (RP=1.55, IC95%: 1.12-2.14), do sexo masculino (RP=1.83, IC95%: 1.27-2.64), presença de doença cardiovascular (RP=1.7, IC95%: 1.32-2.19) e desassistido de orientações específicas sobre amputação em DM-II na atenção básica (RP=1.52, IC95%: 1.05-2.21). Utilização de insulina foi associada com a menor prevalência de severidade de amputação em indivíduos com diabetes (RP=0.68, IC95%: 0.48-0.97). Conclusão: As AMI em DM-II foram associadas com a faixa etária maior que 67 anos, gênero masculino, doença cardiovascular e o baixo suporte de orientações em nível da atenção primária à saúde. Essas evidências representam a necessidade de readequar e nortear estratégias de prevenção e de educação em saúde no estado do Ceará.

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