Investigação da influência de autoanticorpos associados à infertilidade e infecções sexualmente transmissíveis nas taxas de sucesso de implantação após ICSI
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Introdução: O teste genético pré-implantacional para a seleção de embriões euploides tem melhorado as taxas de sucesso das técnicas de reprodução assistida, reduzindo o número de falhas de implantação e abortos espontâneos. No entanto, além das anormalidades genéticas do embrião, infecções sexualmente transmissíveis ativas ou pregressas ou ainda fatores imunológicos autoimunes em mulheres podem potencialmente interferir no sucesso da transferência embrionária e estabelecimento da gestação. No entanto, investigações sistemáticas sobre a influência de autoanticorpos nas taxas de sucesso da implantação ainda não estão disponíveis. Objetivo: Determinar a presença de autoanticorpos específicos relacionados à infertilidade e de anticorpos específicos contra patógenos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), e a prevalência de patógenos ativos (ISTs) em amostra endocervical de mulheres submetidas à injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) e teste genético pré-implantacional (PGT-A), e comparar tais prevalência entre mulheres com implantação bem-sucedida e sem sucesso após a transferência embrionária. Métodos: Foram colhidas amostras de sangue periférico de 86 mulheres submetidas a ICSI e PGT-A, que concordaram em participar da pesquisa e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) da pesquisa, aprovada no comitê de ética do Centro Universitário FMABC sob o número 5.139.008. Das amostras de sangue foi extraído o plasma que foi testado quanto à presença de autoanticorpos específicos contra ovários, placenta, útero e espermatozoides, bem como anticorpos específicos contra Mycoplasma hominis, Ureaplasma urealyticum, Treponema pallidum, Chlamydia trachomatis e vírus Herpes simplex. As prevalências desses anticorpos foram comparadas entre mulheres com implantação bem-sucedida e malsucedida após a transferência de um embrião euploide. Das 86 participantes, 37 também permitiram a coleta de uma amostra endocervical na data da transferência embrionária. Nas amostras endocervicais foi avaliada a presença de Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, Herpes simplex virus 1 e Herpes simplex virus 2, Haemophilus ducreyi, Mycoplasma genitalium, Mycoplasma hominis, Ureaplasma parvum, Ureaplasma urealyticum, Treponema pallidum e Trichomonas vaginalis. Resultados: Considerando as amostras de plasma, a prevalência de anticorpos anti-Ureaplasma urealyticum foi significativamente maior (teste exato de Fisher, p = 0,028) em mulheres com falha de implantação (62,0%) em comparação com aquelas com implantação bem-sucedida (36,1%). Considerando as amostras endocervicais foi detectado Ureaplasma parvum em 6 participantes do grupo de falha de implantação, e em nenhuma mulher das que tiveram gestação bem-sucedida, com diferença estatisticamente significante entre os grupos (p=0,027). Conclusão: O estudo sugere que a implantação de embriões euploides pode ser impactada por fatores infecciosos, como infecções prévias por Ureaplasma urealyticum. Autoanticorpos e outros patógenos não mostraram relação significativa com os desfechos. Esses achados destacam a relevância da triagem imunológica e infecciosa na propedêutica da infertilidade. A confirmação dos resultados em maiores coortes pode validar o resultado encontrado no presente trabalho.
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