Estimulação elétrica funcional durante treino de marcha em pessoas após acidente vascular encefálico.
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Introdução: O Acidente Vascular Encefálico (AVE) normalmente desencadeia comprometimentos motores, cognitivos e sensoriais, sendo a hemiparesia a principal sequela, a qual apresenta fraqueza de dorsiflexores e queda do pé no membro inferior parético, fato que prejudica a marcha e afeta a execução das atividades de vida diária. Além disso, é comum tropeços e quedas, devido ao distúrbio neurológico, e, assim, a reabilitação da marcha pode ser uma boa estratégia para reduzir esses episódios em pessoas pós-AVE, sendo o estimulador de pé caido um equipamento terapêutico de Estimulação Elétrica Funcional (EEF), que pode ser usado durante a marcha com este intuito. Objetivo: Avaliar os efeitos de um protocolo de estimulação elétrica funcional durante treino de marcha em esteira em indivíduos pós-AVE. Método: Trata-se de um estudo longitudinal, randomizado e cruzado, no qual participaram 28 indivíduos com hemiparesia pós AVE, distribuídos igualmente em dois grupos (Grupo AB: treinamento inicial em esteira com estimulação seguida de treinamento em esteira sem estimulação; Grupo BA: treinamento inicial em esteira sem estimulação seguido de treinamento em esteira com estimulação), usando o estimulador de pé caido WalkAide® (Innovative Neurotronics, Austin, TX). Os indivíduos foram avaliados antes do início dos protocolos (momento 1), entre os protocolos (momento 2) e no final do protocolo (momento 3), utilizando os seguintes instrumentos: Avaliação de Fugl- Meyer, Mini-Exame do Estado Mental, Escala de Equilíbrio de Berg, Lower Extremity Motor Coordination Test, Teste de Caminhada de 10 Metros, Timed Up and Go Test (TUG) e Teste de Caminhada de 6 Minutos (TC6). Resultados: O uso da EEF é efetiva em indivíduos pós-AVE. Na função sensório-motora e na coordenação no membro inferior não parético, os indivíduos melhoraram independentemente do período que a EEF foi aplicada, enquanto na melhora do membro inferior parético ocorreu apenas no grupo que iniciou o protocolo sem estimulação. Entretanto, ganhos de equilíbrio foram observados apenas quando os indivíduos receberam a estimulação e ganhos no TUG e no TC6 quando os indivíduos foram estimulados pela primeira vez. Além disso, os efeitos de manutenção do treinamento foram observados após a realização do período de treinamento com ou sem EEF. Conclusão: O treinamento em esteira com EEF promoveu melhores resultados nos indivíduos pós- AVE na maioria das variáveis analisadas, fato que sugere a aplicação desse protocolo nessa população para colaborar com o processo de reabilitação.
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