Necessidades alimentares especiais de escolares atendidos em uma rede pública de ensino municipal

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Objetivo: Descrever as condições sociodemográficas, doenças e restrições dietéticas de alunos com necessidades alimentares especiais (NAE) atendidos em uma rede pública de ensino municipal. Métodos: Estudo retrospectivo e observacional que avaliou fichas clínicas de 869 crianças, entre 4 meses e 12 anos, atendidas com alimentação diferenciada devido a doenças/situações clínicas, matriculadas em 82 escolas. Foram coletados os dados: sexo, idade, unidade e período escolar, beneficiário do Programa Bolsa Família, procedência da prescrição, profissão do prescritor, diagnóstico, Código Internacional de Doenças (CID), renovação anual das prescrições, tempo de atendimento e o motivo da interrupção. Resultados: Dos 34.301 alunos matriculados na rede municipal, 2,5% apresentaram necessidades alimentares especiais; o médico foi o prescritor responsável em 73,4% e houve identificação do CID apenas em 6,9% das prescrições. Diagnósticos referidos pelo profissional foram: 23,6% com algum tipo de alergia alimentar; 14,5% apresentaram alergia ao leite de vaca (ALV); 10,9% de intolerância à lactose e 54,9% outras doenças/situações clínicas. ALV foi estatisticamente mais prevalente (p<0,001) nos lactentes (25,8%) em comparação aos pré-escolares/escolares (11,6%), enquanto a dislipidemia (24,5%) e o excesso de peso (20,1%) foram mais frequentes nos pré-escolares/escolares (p<0,001). Não houve diferença significativa (p>0,05) da intolerância à lactose entre lactentes (13,8%) e pré-escolares/escolares (10,2%). Conclusão: Alergias alimentares, intolerância à lactose, excesso de peso e dislipidemia foram os principais diagnósticos associados às prescrições para crianças com necessidades alimentares especiais matriculadas em escolas públicas. A prevalência de alergia foi superior a relatada na literatura podendo sugerir diagnóstico impreciso e necessidade de confirmação pelo teste de provocação oral (TPO). Embora o médico tenha sido o principal prescritor, chamou atenção o baixo registro do CID nos encaminhamentos.

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