Incontinência urinária pós-prostatectomia radical: há discrepância entre o relato médico e a percepção de pacientes
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Objetivo: Incontinência urinária pós-prostatectomia radical afeta negativamente a qualidade de vida dos pacientes. A acurada identificação do problema pelo médico é essencial para a condução pós-operatória adequada. Subestimação, pelos médicos, dos sintomas de pacientes com câncer de próstata não tratado cirurgicamente já foi relatada previamente na literatura. Nós avaliamos neste estudo se, para a incontinência urinária, existe discrepância entre o relato médico e a percepção de pacientes submetidos à prostatectomia radical retropúbica. Materiais e Métodos: Foi realizada análise retrospectiva dos registros médicos de 266 pacientes submetidos à prostatectomia radical retropúbica entre 2005 e 2010. Variáveis sociodemográficas foram coletadas, além do estado de continência ao longo do tratamento registrado pelo urologista no prontuário. Em seguida foi estabelecido o contato telefônico com os pacientes para determinar o estado de continência atual e na época da última consulta além da aplicação do questionário ICIQ – SF. Regressão de Poisson com variância robusta foi utilizada para estimar os fatores associados a discrepância, por meio da estratégia stepwise backward. O nível de significância foi de 5%. O programa utilizado foi o Stata ®(StataCorp, LC) versão 11.0. Resultados: Há divergência entre o relato médico e a percepção de pacientes em 42,2% dos casos. Em 56% dos idosos e 52% dos homens de baixa escolaridade ocorreu discrepância, sendo que a mesma foi significativa nesses grupos (p=0,069 e 0,0001, respectivamente), enquanto que à regressão multivariada a taxa de discrepância foi significativamente maior em homens negros (taxa de discrepância de 52,6%) e de baixa escolaridade (p=0,004 e 0,043, respectivamente). Conclusão: Há discrepância entre o registro médico e a percepção de homens da etnia negra e baixa escolaridade a respeito da incontinência urinária após prostatectomia radical. A investigação da condição deve ser mais cuidadosa nos pacientes que se enquadram neste perfil de risco.
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